segunda-feira, abril 16, 2012

"DIREITA" "ESQUERDA" "TERCEIRA VIA"




É muito comum nas aulas alunos(as) levantarem a dúvida: O que significa 'direita' e 'esquerda'?
Não é uma questão muito simples de resolver. Apesar da popularidade dos termos, não há fatores determinantes e conclusivos que descrevam a "esquerda" ou a "direita", dependendo geralmente do viés dos defensores de um lado ou de outro. 
A origem dos termos remonta à Revolução Francesa. Nos Estados Gerais franceses reunidos em 1789 os monarquistas, que apoiavam o Antigo Regime, tomaram o lugar à direita do rei. Os opositores ao rei ocupavam os assentos à esquerda.  Com o tempo, o sentido de direita e esquerda foi sofrendo modulações relativizando para se tornar mais adequado às ideologias comparadas e ao ponto de vista de quem usa tais termos. Por exemplo, os girondinos, por serem também revolucionários, estavam à esquerda do regime social e econômico estabelecido por ocasião da revolução, mas, com o fim do regime, passaram a ser "a direita", por oposição aos jacobinos, revolucionários mais radicais. 
Existiam aqueles que ficavam entre essas facções (no meio) ; ora tomavam partido da “esquerda”, ora da “direita”. Esses eram chamados de centro. No Brasil foram chamados de “em cima do Muro” ou centrão.
No século XX, os fascistas receberam a denominação 'direita' e os comunistas 'esquerda'. 
Com o fim da Segunda Guerra Mundial os grupos defensores do Capitalismo foram identificados como 'direita' e os socialistas como 'esquerda'. 
No Brasil a 'esquerda' eram os nacionalistas (anos 1950/1960) e depois os opositores ao regime militar (anos 1970/1980). A 'direita' eram os que apoiavam o regime. 
Após o fim da Guerra Fria (1991) o sociólogo inglês Anthony Giddens defendeu uma revisão das social-democracias, que conceituou sob o termo Terceira Via. Giddens trabalhou como assessor do ex-Primeiro-ministro britânico Tony Blair e é professor de Sociologia da Universidade de Cambridge. Em seus livros PARA ALÉM DA ESQUERDA E DA DIREITA e  A TERCEIRA VIA Giddens postula que "a ‘terceira via’ defendida por nós é a social-democracia modernizada. Ela é um movimento de centro-esquerda, ou do que temos chamado de ‘centro radical’. Radical, porque não abandonou a política de solidariedade que tradicionalmente foi defendida pela esquerda. De centro, porque reconhece a necessidade de trabalhar alianças que proporcionem uma base para ações práticas. Da comparação entre os diversos países que têm lidado com essa hipótese, percebe-se que está emergindo uma agenda comum.”
Para alguns o perfil real que emerge da Terceira Via não podia ser outro: uma esquerda disfarçada de centro. Por suas próprias características, ela tem que aparecer sorridente. Suas definições são vagas e imprecisas. Em seus métodos, não estão ausentes elementos da velha práxis marxista. Sua meta, sobretudo, coincide com o objetivo último da esquerda: uma sociedade igualitária. Para outros esse modelo afasta-se da tradição original da social democracia e empenha-se em reafirmar e reforçar os vícios do neoliberalismo, como a desregulamentação econômica, a economia predominando sobre o social, sendo os ministros da economia e os presidentes dos bancos centrais o coração de seus governos, havendo subordinação de comportamentos segundo as pesquisas de opinião, bem como o processo de alianças possíveis e impossíveis.
A inconstância e a variedade dos discursos ideológicos da esquerda e da direita, para não mencionar suas freqüentes inversões e enxertos mútuos, tornam tão difícil apreender conceptualmente a diferença entre essas duas correntes políticas, que muitos estudiosos desistiram de fazê-lo e optaram por tomá-las como meros rótulos convencionais ou publicitários, sem qualquer conteúdo preciso.