Quarta-feira, Novembro 30, 2011

TV APARECIDA

No dia 14 de Outubro participei de um programa na TV Aparecida chamado ETC.....
A conversa foi boa. Quem tiver paciência... abaixo os vídeos

PRIMEIRO BLOCO










SEGUNDO BLOCO





TERCEIRO BLOCO


Domingo, Outubro 30, 2011

O Papel da Religião na sociedade: “Persépolis”


“A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração do mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo.”
(Karl Marx)

“A melhor religião é a mais tolerante.”
(Émile de Girardin – 1802-1881 -, jornalista, político e publicitário francês)

A minha Religião é o Novo. 
Este dia, por exemplo; o pôr do Sol, 
estas invenções habituais: o Mar. 
Ainda: 
os cisnes a Ralhar com a água. A Rapariga mais bonita que 
ontem. 
Deus como habitante único. 
Todos somos estrangeiros a esta Região, cujo único habitante 
verdadeiro é Deus (este bem podia ser o Rótulo do nosso 
Frasco). 
Dele também se podia dizer, como homenagem: 
Hóspede discreto. 
Ou mais pomposamente: 
O Enorme Hóspede discreto. 
Ou dizer ainda, para demorar Deus mais tempo nos lábios ou 
neste caso no papel, na escrita, dizer ainda, no seu epitáfio que 
nunca chega, que nunca será útil, dizer dele: 
em todo o lado é hóspede, 
e em todo o lado é Discreto.

Gonçalo M. Tavares (nasc. 1970), escritor pós-modernista português, in "Investigações. Novalis"

“As revoluções fracassam porque, uma vez que triunfam, os homens deixam tudo nas mãos do novo governo 'revolucionário'... em lugar de fazê-lo eles mesmos”.

(Ricardo Flores Magón – 1874-1922 - , um dos mais notáveis anarquistas mexicanos)

          

Eu quero iniciar a minha análise sobre o papel da religião na sociedade, com enfoque no filme “Persépolis”, partindo do pressuposto que a religião é um sistema, construído com regras, que são geralmente chamadas de dogmas. Segundo Sigmund Freud, sendo ela um remédio ilusório para o desamparo, as atitudes humanas que tem raízes religiosas se dão quando as regras entram no âmbito psíquico, o que seria fundamental para o que os religiosos chamam de “salvação” ou “purificação”; seria esse o objetivo curativo desse “remédio”. Quiçá, a parcela imensa de seres humanos que seguem e aderem a dogmas religiosos e os usam como uma foice para andar por esse imenso canavial chamado existência representam a necessidade do homem, enquanto ser racional, de controlar seus instintos e seus impulsos, estabelecendo para si um código moral com “raízes espirituais”. A pintura “A Criação de Adão”, feita na abóbada da Capela Sistina, ilustra bem essa ideia da relação do homem com as respostas que estão “além do conhecimento possível” e de sua necessidade de encontrar um sentido espiritual e divino para si e para sua existência; quando se quer encontrar um sentido para ser e estar não há apenas a religião como instrumento de compreensão e entendimento – sabemos disso; porém, por algum motivo mais singelo e talvez mais “purificador” para a mente, os seres humanos passaram a utilizá-la desde os tempos mais remotos para esse fim. É realmente uma procura por uma suposta re-ligação (como o temo mesmo sugere) com uma suposta força criadora que carrega a essência para a existência, podendo esta ser antropomórfica, zoomórfica ou apenas uma força imaterial.
            Essa introdução serviu apenas para nos mostrar como a religião se dá no âmbito psíquico. A questão é: ela pode se dar positivamente e negativamente; quando é o segundo caso, quais são as consequências disso para o homem e, subsequentemente, para a sociedade que o representa no campo coletivo. Dessa proposição chegamos às análises do filme “Persépolis”. Um grupo de islâmicos radicais, os xiitas, consegue chegar ao poder na então Pérsia, representando uma esperança para um retorno da liberdade num país que, pelo governo de um ditador “alcunhado” de xá, já há muito desconhecia. Comemora-se a derrocada do xá e a abertura para a liberdade; todavia, os que entram no poder monopolizam fundamentalmente sua moral religiosa, aplicando-a ao sistema político e, consequentemente, coletivizando-a. O resultado são pessoas que já não podem mais utilizar sua faculdade de escolha própria ante atitudes corriqueiras e habituais, mas importantíssimas para o exercício da liberdade, tais como o uso de roupas, poder ir a festas e até realizarem atividades lúdicas; e, pior ainda, não há mais o direito de criticar o governo e nem ter contato com uma cultura alheia, outrora próxima, como a ocidental. E aí surge novamente, como no tema do relato: quais são as consequências negativas que a religião pode ter sobre a sociedade?

                                               Eliakim Ferreira Oliveira, São Paulo, 24/10/11.

Domingo, Outubro 23, 2011

O Conceito de Liberdade esmiuçado no filme “Amistad”

“A liberdade é mais importante que o pão.”
(Nelson Rodrigues)

“Liberdade

— Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.”  

Miguel Torga, célebre escritor modernista português, in “Diário XII”

            Não é possível falar sobre liberdade e, mais ainda, discutir o modo como ela aparece no filme “Amistad”, de Steven Spielberg, quando praticamente desconhecemos o conceito. Alisemos, portanto, quais são os “alicerces filosóficos” que sustentam essa palavra. Num primeiro momento, em uma análise de cunho comum, diz-se que liberdade é a capacidade de escolher uma coisa dentre duas ou mais, isto é, poder fazer escolhas durante a existência. O filósofo e religioso francês Jean Buridan (1300-1358), por exemplo, considerava que ser livre é não ter mais propensão a fazer uma do que outra, entre duas alternativas. Eu, por exemplo, tenho duas opções: posso escolher escrever esse relato ou não – tenho liberdade para isso; as consequências da minha escolha já são outros quinhentos...
            Não só conceitualmente, mas quotidianamente também, atribuímos a liberdade ao indivíduo provido de senso racional que é livre. Não se trata da desmembração entre liberdade e homem, mas sim de uma sinergia entre ambos para a auto-afirmação do Ego (eu) e sua existência. E nesse sentido, unimos também a Vontade a Liberdade, pois se observa que o querer ser livre é a força-motriz e, paradoxalmente, o instrumento para a libertação do homem.
            Creio que uma das melhores análises filosóficas sobre o conceito de liberdade que pode ser aplicada ao filme “Amistad” é a do filósofo francês Jean-Paul Sartre, que afirma ser a liberdade a condição ontológica do ser humano. O homem é, antes de tudo, livre. O homem é livre mesmo de uma essência particular, como não o são os objetos do mundo, as coisas. Livre a um ponto tal que pode ser considerada a brecha por onde o Nada encontra seu espaço na ontologia. Ele está, em sua essência humana, fadado a ser livre; ele é, ontologicamente, obrigado a fazer escolhas, obrigado a exercer sua liberdade intrínseca. Eu posso, na condição de ser humano, escolher permanecer preso por grilhões que dilaceram minha carne ou tentar, por meio da minha própria condição física, soltar-me. Sou obrigado a escolher se permaneço num estado ou se mudo para outro. Em vários momentos do filme o personagem principal é obrigado a exercer sua liberdade; comandar uma revolta e mobilizar seus amigos conterrâneos foi um exemplo disso. E os que o seguiram também exerceram sua liberdade, posto que tinham a opção de não fazê-lo. Percebe? É impossível não escolhermos, é impossível não fazermos escolhas.
            Partindo do conceito de Buridan e o estruturando analiticamente com as considerações de Sartre, concluímos que, por existir, somos livres. Eu diria até que nós só existimos por sermos livres. Se podemos escolher, se podemos fazer escolhas, ontologicamente garantimos nossa existência.

                                                                                   Eliakim Ferreira Oliveira, São Paulo, 16/10/11

Segunda-feira, Outubro 10, 2011

Café com leite



Cartum exposto no Salão Internacional do Humor - Piracicaba - SP - Edição  2011

Café com leite

Gabriel George Martins de Oliveira

            As diversas teorias racistas que povoaram a mente de estudiosos dos séculos XIX e XX estabeleceram que a mestiçagem teve papel negativo na formação brasileira. No entanto, intelectuais como Gilberto Freyre e Florestan Fernandes contradizem esse ideário, ainda que discordando em certos aspectos. Assim, ambos propõem fórmulas diferentes para a formação do povo brasileiro.
            A Eugenia e outras propostas racistas taxavam o povo das terras brasileiras como sendo degenerado, decorrência de sua repulsiva miscigenação, como muitos consideravam. O antropólogo Gilberto Freyre foi o pioneiro, a matriz de um pensamento que objetava precisamente o contrário. Freyre via a miscigenação como algo natural, e ainda ousava, acrescentando o conceito de “democracia racial”, no qual há o pleno exercício da liberdade étnica e social dentro de uma sociedade. Para ele, com a abolição da escravidão da escravidão, o Brasil chegou a esse patamar.
É válido dizer, porém, que o 13 de maio representa o dia no qual os escravos negros se viram libertos, mas sem nenhum respaldo para participar da atual sociedade. Esse é o pensamento de Florestan Fernandes, que vislumbra a democracia racial de Freyre como inexistente, tendo em vista a permanência de uma organização social que segregava o negro e o excluía. Enquanto o Governo, durante as festividades, embeleza as cidades de diversos modos a fim de vender sua imagem, um montante de pessoas, não apenas os negros, se refugiam em periferias, fruto daquela longínqua abolição que supostamente libertou os escravos.
Portanto, é insensato afirmar que o Brasil se encontra num atual estado de magnitude e mistura étnica permitida. Há ainda muito preconceito e exploração, como nos tempos de D. Pedro. A solução reside na eliminação das desigualdades sociais, como propõe outro intelectual, Darcy Ribeiro. 

Gabriel George Martins de Oliveira tem 16 anos. Cursa a Segunda Série do Ensino Médio

Segunda-feira, Outubro 03, 2011

Uns mais iguais que outros

Uns mais iguais que outros

Cartum exposto no Salão Internacional do Humor em Piracicaba - SP - Versão 2011

O Brasil sempre foi visto como um país característico não só de sua riqueza natural, mas principalmente da sua imensa diversidade cultural. Tal mestiçagem étnica se deve a colonização portuguesa que permitiu e inclusive participou da miscigenação para a formação e desenvolvimento da nova colônia. Porém, o fato de as três raças se reproduzirem, não significou a união dos costumes e tradições de todos – ao contrário, apesar de não terem sucesso, tanto o índio quanto o negro se mostraram resistentes a implantação do catolicismo e qualquer outro elemento da cultura dos colonizadores.
Durante o processo do crescimento do Brasil como nação, inúmeras questões foram surgindo, fazendo com que nós nos questionássemos por que tudo está desta forma. E no meio dessas dúvidas surgiram importantes sociólogos no entendimento da identidade brasileira. Gilberto Freyre foi o pioneiro ao analisar a colônia brasileira e em toda sua obra Casa Grande & Senzala afirma o quão foi importante a mistura de raças para o povo brasileiro. Além disso, Freyre estuda o funcionamento do sistema escravocrata, que julgava ser diferente da outras regiões: uma doce escravidão.
A questão é: como ser doce um sistema onde os negros raramente têm acesso à educação e mais grave ainda, como inseri-los numa sociedade que não estava disposta a ajudá-los? Tal questionamento é feito por Florestan Fernandes, que critica fortemente a falta de disposição do Estado em ajudar os ex-cativos na nova sociedade que surgira no Brasil após a Abolição.
O negro não estava acostumado com o sistema capitalista e seu funcionamento; numa sociedade de trabalho livre ele tinha vários inimigos: o imigrante, que conseguira um grande destaque naquele ambiente, o preconceito pelo seu passado e o habitus. Diante dessa difícil realidade na cidade, muitos se submetiam ao vandalismo, o alcoolismo e até mesmo a prostituição. O fim da escravidão foi apenas o início para os principais problemas que o negro teria de enfrentar.
É neste ponto que nos indagamos o quão doce foi o governo para com a “população de cor”. Uma sociedade egoísta que, cega pelo preconceito, não está disposta a inserir, de maneira justa, o negro na sociedade. Portanto, o problema não está no fato da escravidão existir ou não, mas o quanto a população julga a igualdade do negro.

Thais Abdala tem 16 anos. Cursa a Segunda Série do Ensino Médio no Colégio Santa Maria.

Terça-feira, Setembro 20, 2011

Quem foi Carl Sagan?

 

Carl Edward Sagan foi um cientista e astrônomo dos Estados Unidos da América. Dedicou-se à pesquisa e à divulgação da astronomia. Foi um excelente divulgador da ciência (considerado por muitos o maior divulgador da ciência que o mundo já conheceu).

Cosmos foi uma série de TV realizada por Carl Sagan e sua esposa Ann Druyan.
A série Cosmos é um dos mais formidáveis exemplos da amplitude e eficácia que a divulgação científica pode atingir por meios audiovisuais, quando servida por uma personalidade carismática como Carl Sagan e por meios técnicos adequados.
Filmado ao longo de três anos, em quarenta locais de doze países, o programa Cosmos abriu a janela do Universo a mais de 500 milhões de pessoas.
O segredo desta série de treze horas foi o talento de comunicador de Sagan, capaz de desmistificar o que até então fora informação científica inacessível.
A versão escrita deste programa continua a ser o livro de divulgação científica mais vendido da história.


Formato: AVI/ wmv
Tamanho: 460 MB mais ou menos
Duração: 59min
Gênero: Documentários – Astronomia
Áudio: Português

EPISÓDIOS:

* Episódio 1 - AS MARGENS DO OCEANO CÓSMICO
http://www.filesonic.com/file/1206243031/01%20-%20Os%20Limites%20do%20Oceano%20Cosmico.avi
http://www.fileserve.com/file/Zj95Trw/01%20-%20Os%20Limites%20do%20Oceano%20Cosmico.avi

* Episódio 2 - UMA VOZ NA SINFONIA CÓSMICA
http://www.filesonic.com/file/1328537124/02%20-%20As%20Origens%20da%20Vida.avi
http://www.fileserve.com/file/tDxd2ky/02%20-%20As%20Origens%20da%20Vida.avi

* Episódio 3 - A HARMONIA DOS MUNDOS
http://www.filesonic.com/file/1328558014/03%20-%20A%20Harmonia%20dos%20Mundos.avi
http://www.fileserve.com/file/6eSR7VU/03%20-%20A%20Harmonia%20dos%20Mundos.avi

* Episódio 4 - CÉU E INFERNO
http://www.filesonic.com/file/1328557954/04%20-%20C%C3%A9u%20e%20Inferno.avi
http://www.fileserve.com/file/dXCAGEg/04%20-%20C%C3%A9u%20e%20Inferno.avi

* Episódio 5 - O PLANETA VERMELHO
http://www.filesonic.com/file/1370488501/05%20-%20Os%20Segredos%20de%20Marte.wmv
http://www.fileserve.com/file/YZqJY7b/05%20-%20Os%20Segredos%20de%20Marte.wmv

* Episódio 6 - A SAGA DOS VIAJANTES
http://www.filesonic.com/file/1370548504/06%20-%20Historias%20de%20Viajantes.avi

* Episódio 7 - A ESPINHA DORSAL DA NOITE
http://www.filesonic.com/file/1405124324/07%20-%20A%20Espinha%20Dorsal%20da%20Noite.avi
http://www.fileserve.com/file/JjXcJMt/07%20-%20A%20Espinha%20Dorsal%20da%20Noite.avi


* Episódio 8 - VIAGENS PELO TEMPO E ESPAÇO
http://www.filesonic.com/file/1405495964/08%20-%20Viagens%20no%20Espa%C3%A7o%20e%20No%20Tempo.avi
http://www.fileserve.com/file/RCwMY35/08%20-%20Viagens%20no%20Espa%C3%A7o%20e%20No%20Tempo.avi

* Episódio 9 - A VIDA DAS ESTRELAS
http://www.filesonic.com/file/1405702874/09%20-%20As%20Vidas%20Das%20Estrelas.avi
http://www.fileserve.com/file/q6yycFX/09%20-%20As%20Vidas%20Das%20Estrelas.avi

* Episódio 10 - O LIMIAR DA ETERNIDADE
http://www.filesonic.com/file/1406693374/10%20-%20O%20Limiar%20da%20Eternidade.avi
http://www.fileserve.com/file/ZmW44q4/10%20-%20O%20Limiar%20da%20Eternidade.avi

* Episódio 11 - A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA
http://www.filesonic.com/file/1406850361/11%20-%20A%20Persist%C3%AAncia%20da%20Mem%C3%B3ria.avi
http://www.fileserve.com/file/Qn2Cbrf/11%20-%20A%20Persist%C3%AAncia%20da%20Mem%C3%B3ria.avi

* Episódio 12 - ENCICLOPÉDIA GALÁTICA
http://www.filesonic.com/file/1407108801/12%20-%20Enciclopedia%20Galactica.avi
http://www.fileserve.com/file/PpgRhXn/12%20-%20Enciclopedia%20Galactica.avi

* Episódio 13 - O FUTURO DA TERRA
http://www.filesonic.com/file/1407481134/13%20-%20Quem%20Pode%20Salvar%20A%20Terra.avi
http://www.fileserve.com/file/UfcPj8G/13%20-%20Quem%20Pode%20Salvar%20A%20Terra.avi

Sábado, Setembro 17, 2011

Capela Sistina - Vaticano

Acesso o link abaixo.
Após a imagem ser aberta totalmente, arraste o mouse para cima e para baixo, da direita para a esquerda.
O sinal de + e – , que fica no canto esquerdo inferior, permite ampliar ou reduzir a imagem.
DIZEM  QUE DEMOROU 3 ANOS PARA COMPLETAR ESTA APRESENTAÇÃO:
http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html

Terça-feira, Setembro 13, 2011

OS ACROBATAS





Ismael Nery - Sem Título

Subamos!
Subamos acima
Subamos além, subamos
Acima do além, subamos!
Com a posse fisica dos braços
Inelutavelmente galgaremos
O grande mar de estrelas
Através de milênios de luz.
Subamos!
Como dois atletas
O rosto petrificado
No pálido sorriso do esforço
Subamos acima
Com a posse física dos braços
E os músculos desmesurados
Na calma convulsa da ascensão.
Oh, acima
Mais longe que tudo
Além, mais longe que acima do além!
Como dois acrobatas
Subamos, lentíssimos
Lá onde o infinito
De tão infinito
Nem mais nome tem
Subamos!
Tensos
Pela corda luminosa
Que pende invisível
E cujos nós são astros
Queimando nas mãos
Subamos à tona
Do grande mar de estrelas
Onde dorme a noite
Subamos!
Tu e eu, herméticos
As nádegas duras
A carótida nodosa
Na fibra do pescoço
Os pés agudos em ponta.
Como no espasmo.
E quando
Lá, acima
Além, mais longe que acima do além
Adiante do véu de Betelgeuse
Depois do país de Altair
Sobre o cérebro de Deus
Num último impulso
Libertados do espírito
Despojados da carne
Nós nos possuiremos.
E morreremos
Morreremos alto, imensamente
IMENSAMENTE ALTO.


Quarta-feira, Setembro 07, 2011

O JOVEM EM MEIO AOS SIGNIFICADOS DA VIOLÊNCIA NO BRASIL

 

Violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto. Invade a autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou
esperado. O termo deriva do latim violentia (é qualquer comportamento ou conjunto de deriva de vis, força, vigor); aplicação de força, vigor, contra qualquer coisa ou ente.

A violência pode ser classificada pelo tipo de manifestação como sendo física, sexual, psicológica e simbólica.

Violência psicológica violência simbólica.

A violência psicológica é caracterizada pela tentativa de degradar ou controlar outra pessoa por meio de condutas de intimidação, manipulação, ameaça, humilhação e isolamento ou qualquer conduta que prejudique a saúde psicológica, autodeterminação ou desenvolvimento de uma pessoa. 
A violência simbólica se baseia na fabricação de crenças no processo de socialização, que induzem o indivíduo a se enxergar e a avaliar o mundo de acordo com critérios e padrões definidos por alguém. Trata-se da construção de crenças coletivas e faz parte do discurso dominante.
Como exemplo de violência simbólica fomentados pela religião podemos citar o machismo (pois a mulher entregou a maçã a Adão), o preconceito contra homossexuais (Sodoma e Gomorra), o texto do catecismo católico sobre homossexualidade (que a classifica como intrisecamente desordenada), racismo (Cain gerou o
povo que vivia nas tendas), a reiterada aclamação da família pai-mãe-filhos como a única legítima pela hierarquia católica e assim por diante.

Diferentes formas de violência: doméstica, sexual e na escola

Violência doméstica 

É a violência, explícita ou velada, literalmente praticada no âmbito familiar, entre indivíduos unidos por parentesco civil (marido e mulher, sogra, padrasto) ou parentesco natural pai, mãe, filhos, irmãos. Inclui diversas práticas, como o abuso sexual contra as crianças, maus-tratos contra idosos, e violência contra a mulher e contra o homem geralmente nos processos de separação litigiosa além da violência sexual contra o parceiro.
Pode ser dividida em violência física — quando envolve agressão direta, contra pessoas queridas do agredido ou destruição de objetos e pertences do mesmo (patrimonial); violência psicológica — quando envolve agressão verbal, ameaças, gestos e posturas agressivas, jurídicamente produzindo danos morais; e violência socioeconômica, quando envolve o controle da vida social da vítima ou de seus recursos económicos. 
Alguns consideram violência doméstica o abandono e a negligência quanto a crianças, parceiros ou idosos. Enquadradas na tipologia na categoria interpessoais, subdividindo-se quanto a natureza Física, Sexual, Psicológica ou de Privação e Abandono
É mais frequente o uso do termo "violência doméstica" para indicar a violência contra parceiros, contra a esposa, contra o marido e filhos. A expressão substitui outras como "violência contra a mulher". Também existem as expressões "violência no relacionamento", "violência conjugal" e "violência intra-familiar".
Muitos casos de violência doméstica encontram-se associados ao consumo de álcool e drogas, pois seu consumo pode tornar a pessoa mais irritável e agressiva especialmente nas crises de abstinência. Nesses casos o agressor pode apresentar inclusive um comportamento absolutamente normal e até mesmo "amável" enquanto sóbrio, o que pode dificultar a decisão da parceiro em denunciá-lo.

A violência sexual

São consideradas violência sexual situações de abuso, violação e assédio sexual. É a passagem ao ato quando o outro não o deseja; é uma agressão focalizada na sexualidade da pessoa, mas que a atinge em todo o seu ser; é crime punido pela lei. 
As marcas físicas e psicológicas da violência sexual são frequentemente graves e não se trata apenas de ferimentos, infecções sexualmente transmitidas ou gravidezes não desejadas. O uso da coação psicológica é também muito frequente, sendo em muitos casos uma forma de o agressor confundir e criar situações de grande ansiedade e angústia na vítima. As situações de violência sexual são, muitas vezes, difíceis de denunciar ou sinalizar, porque o medo da vítima induz ao silêncio e ao segredo, protegendo desta forma o agressor.
Abuso sexual define o comportamento de alguém do sexo masculino ou feminino face a um menor que englobe a prática de um ato sexual de relevo. Consideram-se ainda como situações de abuso as práticas de carácter exibicionista perante o outro, obscenidade escrita ou oral, obrigatoriedade de assistir a espectáculos pornográficos, o uso de objetos pornográficos, ou ainda se o menor é usado para fins fotográficos ou filmes de índole pornográfica .

A violência na escola

A violência que as crianças e os adolescentes exercem , é antes de tudo, a que seu meio exerce sobre eles. A
criança reflete na escola as frustrações do seu dia-a- dia. É neste contexto que destacamos os tipos de violência praticados dentro da escola .

* Violência contra o patrimônio - é a violência praticada contra a parte física da escola. É contra a própria construção que se voltam os pré-adolescentes e os adolescentes , obrigados que são a passar neste local oito ou nove horas por dia.
* Violência doméstica - é a violência praticada por familiares ou pessoas ligadas diretamente ao convívio diário do adolescente.
* Violência simbólica - É a violência que a escola exerce sobre o aluno quando o anula da capacidade de pensar e o torna um ser capaz somente de reproduzir.  A violência simbólica é a mais difícil de ser percebida ... porque é exercida pela sociedade quando esta não é capaz de encaminhar seus jovens ao mercado de trabalho, quando não lhes oferece oportunidades para o desenvolvimento da criatividade e de atividades de lazer; quando as escolas impõem conteúdos destituídos de interesse e de significado para a vida dos alunos; ou quando os professores se recusam a proporcionar explicações suficientes , abandonando os estudantes à sua própria sorte , desvalorizando-os com palavras e atitudes de desmerecimento". a violência simbólica também pode ser contra o professor quando este é agredido em seu trabalho pela indiferença e desinteresse do aluno.
* Violência física - "Brigar , bater, matar, suicidar, estuprar, roubar, assaltar, tiroteio, espancar, pancadaria, Ter guerra com alguém, andar armado e, também participar das atividades das guangues.

Os fatores que levam os jovens a praticar atos violentos

São inúmeros os fatores que podem levar uma criança ou um adolescente a um ato delitivo.

A desigualdade social é um dos fatores que levam um jovem a cometer atos violentos. A situação de carência absoluta de condições básicas de sobrevivência tende a embrutecer os indivíduos, assim, a pobreza seria geradora de personalidades destrutivas. 
A influência de grupos de referência de valores, crenças e formas de comportamento seria também uma motivação do jovem para cometer crimes. O motivo pelo qual os jovens...aderem às gangues é a busca de respostas para suas necessidades humanas básicas, como o sentimento de pertencimento, uma maior identidade, auto-estima e proteção, e a gangue parece ser uma solução para os seus problemas a curto prazo" , assim, o infrator se sente protegido por um grupo no qual tem confiança. 
Valores como solidariedade, humildade, companheirismo, respeito, tolerância são pouco estimulados nas práticas de convivência social, quer seja na família, na escola, no trabalho ou em locais de lazer. A inexistência dessas práticas dão lugar ao individualismo, à lei do mais forte, à necessidade de se levar vantagem em tudo, e daí a brutalidade e a intolerância.. A influência das guangues que se aliam ao fracasso da família e da escola. A educação tolerante e permissiva não leva a ética na família. Os pais educam seus filhos e estes crescem achando que podem tudo. É dentro das guangues ou das quadrilhas que os jovens provam sua audácia, desafiam o medo da morte e da prisão. É uma subcultura criminosa.
O indivíduo tem a sua disposiçã uma grande oferta de oportunidades: o uso de drogas, uso de bebidas alcoólicas, uso da arma de fogo aliada a inexistência do controle da polícia , da família e comunidade tornam o indivíduo motivado a concluir o ato delitivo. Carências afetivas e causas socioeconômicas ou culturais certamente aí se misturam, para desembocar nestas atitudes. 
A Disponibilidade de armas de fogo e as mudanças que isso impõe às comunidades conflituosas, contribuindo para o aumento do caráter mortal dos conflitos nas escolas a falta de policiamento agrava a situação na medida em que a polícia pode ser sinônimo de segurança e ordem.

As razões

Sem sombra de dúvidas há um conjunto de razões que afetam o processo educativo na sociedade contemporânea e que geram a violência. Habitamos um mundo de pessoas tresloucadas, atingidas pela degeneração familiar e que levam a violência até para dentro da própria escola. Num país como o Estados Unidos, o mais poderoso e desenvolvido do mundo, volta e meia pessoas enlouquecidas, franco-atiradores, saem matando a esmo, conforme aconteceu recentemente numa universidade da Virgínia. Conscientes estamos de que a venda indiscriminada de armas e o contrabando  delas, são causas que estão na origem de toda essa violência. Mas no cerne dessa questão está o ser humano como alvo e vítima da ambição pelo melhor e pela sede de poder. Também a idéia da vingança justa, praticada por justiceiros e justiçadores, permeia a consciência da juventude desde o advento das histórias em quadrinhos, agora reforçada pela força incomensurável da televisão, dos vídeo-games e computadores.Quase todos os jogos são jogos de guerra.
Se não resta dúvida que uma arma ao alcance das mãos transforma conflitos banais em tragédias irreversíveis, dúvidas não deve haver também que a ausência de esperança, de hospitais, de alimentação, de educação, de direitos ,de dignidade, de emprego, aumentam astronomicamente as possibilidades deviolência.
As pressões sociais descabidas pela vitória a qualquer custo, a convivência diária das crianças com a violência, nas ruas onde moram, em suas casas, nos bairros, são momentos em que não se discute sequer a covardia de atingir sempre os mais fracos. O importante é bater e vencer. Há toda uma cadeia de violência sendo gerada pela miséria extrema, pela desilusão, pela chamada solidão.dos excluídos. Embora entre eles hajam aqueles que se conformam e esperam por uma vida melhor no céu.Pior que tudo isso, é que o medo e as neuroses vividas pela população dão contribuições milimétricas, mas constantes, para que o índice de violência seja cada vez maior.
A violência sempre esteve presente nas relações interpessoais, desde o pecado original. Então porque a inteligência humana, filósofos, sociólogos e religiosos, nunca conseguiram contê-la?
A individualização do sujeito, distante do poder público e de todas as oportunidades, as discrepâncias socioeconômicas , a competitividade ordenada pela alta voltagem do consumismo, num tipo de sociedade que lhe ordena ter a todo custo o que não pode ter, são também mães da violência.
Para saber mais:

Violência


Artigo de Jurandir Freire Costa


Violência Doméstica



Violência Escolar



Quarta-feira, Agosto 24, 2011

FRASE TRISTE DO DIA -SAIU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS.

  “Que país é este que junta milhões numa marcha gay, outros milhões numa marcha evangélica, muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção?”

Sábado, Julho 09, 2011

OS ÚLTIMOS DESEJOS DE ALEXANDRE, O GRANDE

Alexandre, o grande é uma personalidade histórica emblemática.
Seu pai, Felipe II, após consolidar a dominação sobre os gregos, foi sucedido por seu filho Alexandre.

Há uma lenda que narra o encontro insólito entre Alexandre e o filósofo cínico Diógenes,o grande filósofo da época, considerado o maior representante da escola dos cínicos, cujos membros se caracterizavam por desprezar as coisas do mundo. Alexandre , ansioso para encontrar esse pensador excêntrico e respeitado, procurou-o no bairro em que morava. Diógenes estava tomando sol e não levou em conta a saudação de Alexandre. Mas o rei insistiu:

“Há algo que eu possa fazer por você?” - perguntou.
Sim” -  respondeu o filósofo. - “Basta que não me tires a luz”.  

Isso o impressionou. Conta-se que, mais tarde, comentou a respeito: “Se eu não fosse Alexandre, gostaria de ser Diógenes”  Diógenes acreditava numa comunidade de toda a raça humana e não em pequenos Estados separados. Inventou a palavra “COSMOPOLITA”, significando “cidadão do mundo.

Ao assumir, o trono, com apenas 18 anos, Alexandre adotou uma política expansionista. Assumindo a liderança greco-macedônica iniciou a campanha de conquista da Pérsia.   


Acerca disso comentou o historiador romano Plutarco: “Seu projeto, não era saquear a Ásia, como um assaltante, nem espoliá-la e arruiná-la (...) como mais tarde Aníbal pilhou a Itália (...) mas submeter todos a uma só forma de governo e fazer da humanidade uma só nação.”   (Plutarco. Vidas Paralelas)

Conquistou a  Síria e Fenícia. Ao conquistar o Egito, fundou no Delta do Nilo a cidade de Alexandria, que se tronou a cidade mais importante da antiguidade.  Alexandre percebeu que havia necessidade de fundar no Egito uma cidade que fosse, ao mesmo tempo, um bom porto comercial, elo de ligação entre o Ocidente e o Oriente, e um porto adequado para os seus navios. Alexandria tornou-se a primeira cidade realmente internacional, com persas e gregos, macedônios e judeus, indianos e africanos sendo atraídos pelas oportunidades oferecidas por esse movimentado porto. Como escreveu Alexander Robinson em seu  Alexandre, o Grande: “Não há dúvida de que este foi o mais importante resultado concreto da vida de Alexandre.”  Um místico egípcio disse em 331 a.C., durante a fundação de Alexandria: “Esta cidade alimentará o mundo inteiro e os homens nela nascidos estarão em toda a parte; porque deverão viajar como pássaros através do mundo”

Após várias campanhas militares conseguiu conquistar a Pérsia, proclamando-se herdeiro do trono

Depois que Alexandre venceu os Persas na planície do Isso, o grande rei Dario III, enviou-lhe a seguinte proposta: O Império seria dividido entre os dois, desde que ele cessasse a luta e voltasse à Europa.
“Eu aceitaria, se fosse Alexandre”, disse Parmênio, general macedônio. 
“Eu aceitaria, se fosse Parmênio, mas como sou eu, e como o mundo não tem dois sóis, a Ásia não pode ter dois senhores” (...)  “E futuramente, quando dirigir-se a mim, dirija-se ao senhor da Ásia: e não me escreva o que devo fazer, mas peça-me, como senhor de tudo o que você possui, o que você precisar. Ou o considerarei um ofensor. Se exige seu reino, levante-se e lute por ele, e não fuja; porque eu farei meu  caminho, onde quer que você esteja (...) Onde quer que se esconda, eu o encontrarei.”(Carta de Alexandre a Dario, 333 aC)

Alexandre, após o domínio da Pérsia, prosseguiu sua marchar para o Oriente até o vale do rio Indo. Ao retornar, morreu aos 33 anos na Babilônia.
O império de Alexandre não sobreviveu a sua morte. Acabou sendo objeto de disputas entre seus generais dividiu-se. Mas  o grande legado de Alexandre não foram suas conquistas territoriais mas sobretudo a fusão cultural que as guerras provocaram.

Consta que os 3 últimos desejos de Alexandre antes de sua morte foram:

1) Que sua urna funerária fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;

2)  Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados como prata , ouro,  e pedras preciosas ;

3) Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora da urna , à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões desses pedidos e ele explicou:

1)  Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;
2) Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que OS BENS MATERIAIS AQUI CONQUISTADOS, AQUI PERMANECEM;

3)  Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

Talvez seja por isso que ele até hoje é chamado de Alexandre, o grande!

Domingo, Julho 03, 2011

O Semeador de Estrelas

A essência do que vemos, está além do que os nossos sentidos físicos possam perceber...

O Semeador de Estrelas é uma estátua localizada em Kaunas, Lituânia... Durante o dia passa despercebida...
Mas, quando a noite chega, a estátua justifica seu nome....

 Para que possamos ver sempre além daquilo que está diante de nossos olhos, hoje e sempre...........

Segunda-feira, Junho 20, 2011

O Empirista do Ele-Mesmo: Alberto Caeiro, O Sensitivo e Naturalista de Fernando Pessoa


"O que nós vemos das coisas são as coisas.
Por que veríamos nós uma coisa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa. [...]"

Como já se constatou, para cada um dos seus heterônimos, o célebre e aclamadíssimo poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) desenvolveu uma biografia, um horóscopo, uma descrição física completa, características morais, intelectuais e ideológicas. Entretanto, deve-se frisar que na carta escrita ao crítico literário Adolfo Casais Monteiro, em 13 de janeiro de 1935, na qual Pessoa explicava detalhadamente o momento do surgimento dos heterônimos - em um instante de introspecção (um insight) -, a biografia de Alberto Caeiro, o heterônimo sensitivo e "intrínseco" à Natureza, foi a menos trabalhada e, quiçá, articulada:"Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. [...] Caeiro era de estatura média e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil como era. [...] Cara rapada todos - o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; [...] Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma - só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. [...] Como escrevo em nome desses três?... Caeiro, por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular o que iria escrever [...] Caeiro escrevia mal o português [...]". No entanto, na condição de poeta como era, Caeiro não carecia realmente de demasiada articulação ou detalhamento biográfico: seus excepcionais e intrigantes poemas, que refletem-no, fazem esse papel biográfico por ele e por Pessoa.

Como postei anteriormente, diz Fernando Pessoa, embora não deixando de apontar para o mau português de seu "Mestre", que escrevia em nome dele por pura e abrupta inspiração, sem conhecer ou ao menos calcular o que escreveria. De fato, Alberto Caeiro é o heterônimo mais distante e mais distinto do poeta; se este afirmava, em poesia, que "O que em mim sente 'stá pensando", aquele possui um avesso posicionamento:

"[...]
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma coisa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse
Como dar-me o sol de fora.
Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
[...]"

Caeiro viveu quase toda a sua existência numa quinta do Ribatejo - a Borda d'Água lusitana - e aí escreveu O Guardador de RebanhosO Pastor Amoroso e Os Poemas Inconjuntos, sendo que os últimos versos são de Lisboa, quando já se encontrava gravemente doente, acometido de tuberculose.

E acima de tudo, Caeiro é o poeta da Natureza. Seus versos captam um modo de estar no mundo muito próprio, muito peculiar e, nisso, ele elimina tudo o que está na forma de pensamento ou de transcendência - na visão do poeta, não existe interioridade:

"Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que ideia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
[...]
O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
[...]
Metafísica? Que metafísica têm aqueles árvores?
[...]
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
'Constituição íntima das coisas'...
'Sentido íntimo do Universo'...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
[...]"

Ou seja, para Alberto Caeiro, existe apenas a realidade mesmo, palpável, visível, percebida pelos sentidos. Pensar é estar doente, não há razão para pensar, faz pouco da filosofia, da religião e da poesia: "O único mistério é haver quem pense nos mistérios", e quem pensa nos mistérios são aqueles incapazes de perceber a Natureza, que vale mais do que os seus pensamentos. A Natureza, para ele, é perfeita, ela "não sabe o que faz", não pensa  e "por isso não erra e é comum e boa". Mas se tu considerasses que o pensar é o refletir, deparamo-nos com o fato de Caeiro pensar, e, por consequência, contradizer-se, haja vista que seus poemas são a mais bela reflexão; porém, se você considerar que o pensar e o refletir são diferentes, sua concepção poético-filosófica é aceitável e extremamente compreensível. Contudo, não querendo eu aniquilar tais encantadoras e originais ideias, é interessante entender que a reflexão é uma volta do pensamento em si, uma colocação analítica do pensamento, sendo necessário que se realize o ato de pensar para se chegar à reflexão - isto é, sem o pensamento, não há reflexão, e nós devemos considerar que, supostamente, os poemas, neste caso, são reflexões sensoriais; sem o pensar, não poderão de modo algum existir. Entendeste? Bem, esqueçamos esse meu devaneio e direcionemo-nos para a compreensão do Caeiro.

Segundo o poeta, "O único sentido íntimo das coisas/É elas não terem sentido íntimo nenhum". É como Caeiro nega o mistério do mundo:

"O mistério das coisas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
[...]
Porque o único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
E não haja nada que compreender.

Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sòzinhos: -
As coisas não têm significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas."

Ao negar o mistério das coisas, Alberto Caeiro se torna diferente de todos os outros heterônimos e do próprio Fernando Pessoa, os seus discípulos; ele não deseja a interferência da memória ou do pensamento no seu contato com a Natureza, procurando com ela uma relação direta, feita somente da sensação pura, do que ouve, do que vê. Ele dessa maneira, a meu ver, transforma-se em um empirista, um poeta tipicamente empirista, pois, mais do que a razão, valoriza os sentidos. Ele é o mestre dos outros heterônimos, como o próprio ortônimo (o Pessoa) afirma, porque possui a sabedoria natural e a calma que seus discípulos não têm. Com seu objetivismo total, ele representa para os demais uma fonte de inspiração e de segurança. E tais considerações minhas ainda não sintetizam a essência de Caeiro, e nem chegam perto desse feito... ... ... ... Não é verdade, caro Alberto Caeiro, "Senhor das Reticências"...?




Eliakim Ferreira Oliveira é colunista e colaborador desse BLOG

Quarta-feira, Junho 08, 2011

Eduardo Galeano

Um outro mundo é possível e está no ventre deste mundo.. esperando para nascer...



Sexta-feira, Maio 27, 2011

O PODER DA PALAVRA

video

O Pessoa na pessoa....



Essa semana foi marcada pelo reencontro com o poeta português Fernando Pessoa nas aulas de Filosofia. O seu heterônimo Alberto Caieiro foi evocado. Caeiro foi um poeta ligado à natureza, que desprezava  o idealismo filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão ("pensar é estar doente dos olhos"). Proclamava-se assim um anti-metafísico. Afirmava que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. É fácil reconhecê-lo pela sua objetividade visual bem como por seu interesse pela natureza, pelo verso livre e pela linguagem simples e familiar. Apresentava-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade. Foi um poeta de completa simplicidade, e considerava que a sensação é a única realidade.


Abaixo um artigo inédito escrito por Eiakin Araújo, grande admirador e estudioso do poeta que versa acerca de outro heterônimo de Fernando Pessoa Bernardo Soares.




Um "Não-Livro" Escrito Por um "Não-Alguém": O Livro do Desassossego


"Dono do mundo em mim, como de terras que não posso trazer comigo."

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer."

Cá, no Brasil, dificilmente alguém nunca ouviu falar do célebre poeta português Fernando Pessoa. Esse poeta nos deixou uma espécie de espanto perante o mundo e perante nós mesmos. Talvez, viver cansava-lhe ou entediava-lhe em certo sentido, levando-o a criar consciências que vivessem, quem sabe?, por ele, frisando-se que a literatura é uma forma de catarse, de libertação. De tal fato, nasciam os conhecidos heterônimos, as personalidades que, em Pessoa, criavam um Universo-Infinitamente-Abstrato, e belo por si só, pois, por ser como é, não carece de interpretação, salientando-se que automaticamente se dá no instante exato em que impressiona o leitor. Os heterônimos poupavam-lhe o esforço de viver, mas mesmo assim ainda intensamente vivia, pelos sentidos, já "dissecados" e compreendidos por suas personas. No texto em que se segue, procuro vos apresentar uma das maiores obras de Pessoa, quiçá a única em prosa, escrita pelo semi-heterônimo Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros num escritório de Lisboa.
Pode-se dizer que, para lhe anular o esforço de organizar e publicar o que há de mais rico em sua prosa, Pessoa inventou o fragmentado Livro do Desassossego. O narrador principal (mas não totalmente exclusivo) das centenas de fragmentos que compõem tal livro é o "semi-heterônimo" Bernardo Soares. Ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, ele escreve sua "autobiografia sem factos", sem encadeamento narrativo claro e sem uma noção de tempo definida, podendo a obra ser até considerado atemporal. Embora tendendo para um ensaio, foi nesta obra que Fernando Pessoa se aproximou mais de um romance. Os temas - confissões privadas, fulgurações, reflexões e devaneios "estéticos" sobre a paixão, a moral e o conhecimento -, adequados a um diário íntimo, são permeados pelo tom de uma intimidade que nunca encontrará ponto de repouso. Há nessa obra um mundo, no qual flui todas as expectativas poéticas de Fernando Pessoa.
Em relação a Bernardo Soares, surge uma questão: ora bolas, por que um "semi-heterônimo" e não um heterônimo, como as outras "personas" de Pessoa? Numa carta escrita ao crítico literário português Adolfo Casais Monteiro, Pessoa explica essa consideração: "É um semi-heterônimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de ténue à minha, é igual a este, e o português perfeitamente igual..." Ou seja, Bernardo Soares pode ser considerado como a personalidade que mais se aproxima da de Fernando Pessoa, sendo uma mutilação desta. Portanto, se nós quisermos realmente conhecer Fernando Pessoa, o próprio (e não "meras" personas) devemos consultar O Livro do Desassossego, o qual é "personificadamente" o Sr. Pessoa, um tanto mais disfórico, "anti-afetivo", brando e com uma monotonia-tendendo-para-a-estética.
Quando se lê esse livro, percebe-se um peculiar tédio e cansaço na escrita, os quais temos ideia da existência em Pessoa quando lemos a poesia de Álvaro de Campos(que passou por seu momento eufórico e disfórico):

"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,

Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço. [...]"

Em O Livro do Desassossego, sua visão perante o mundo passa pela análise de Bernardo Soares, e derruba, talvez, algumas visões equivocadas sobre este. A Lisboa retratada é um "submúltiplo" do próprio mundo em si, no entanto, não menor em moral que o próprio, somente em extensão.

"[...] Viver é fazer meia com uma intenção dos outros. Mas, ao fazê-la, o pensamento é livre, e todos os príncipes encantados podem passear nos seus parques entre mergulho e mergulho da agulha de marfim com bico reverso. Croché das coisas… Intervalo… Nada…

De resto, com que posso contar comigo? Uma acuidade horrível das sensações, e a compreensão profunda de estar sentindo… Uma inteligência aguda para me destruir, e um poder de sonho sôfrego de me entreter… Uma vontade morta e uma reflexão que a embala, como a um filho vivo… Sim, croché… [...]" Bernardo Soares

Eliakim Ferreira Oliveira tem 15 anos e é colunista deste BLOG.