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segunda-feira, abril 16, 2012

"DIREITA" "ESQUERDA" "TERCEIRA VIA"




É muito comum nas aulas alunos(as) levantarem a dúvida: O que significa 'direita' e 'esquerda'?
Não é uma questão muito simples de resolver. Apesar da popularidade dos termos, não há fatores determinantes e conclusivos que descrevam a "esquerda" ou a "direita", dependendo geralmente do viés dos defensores de um lado ou de outro. 
A origem dos termos remonta à Revolução Francesa. Nos Estados Gerais franceses reunidos em 1789 os monarquistas, que apoiavam o Antigo Regime, tomaram o lugar à direita do rei. Os opositores ao rei ocupavam os assentos à esquerda.  Com o tempo, o sentido de direita e esquerda foi sofrendo modulações relativizando para se tornar mais adequado às ideologias comparadas e ao ponto de vista de quem usa tais termos. Por exemplo, os girondinos, por serem também revolucionários, estavam à esquerda do regime social e econômico estabelecido por ocasião da revolução, mas, com o fim do regime, passaram a ser "a direita", por oposição aos jacobinos, revolucionários mais radicais. 
Existiam aqueles que ficavam entre essas facções (no meio) ; ora tomavam partido da “esquerda”, ora da “direita”. Esses eram chamados de centro. No Brasil foram chamados de “em cima do Muro” ou centrão.
No século XX, os fascistas receberam a denominação 'direita' e os comunistas 'esquerda'. 
Com o fim da Segunda Guerra Mundial os grupos defensores do Capitalismo foram identificados como 'direita' e os socialistas como 'esquerda'. 
No Brasil a 'esquerda' eram os nacionalistas (anos 1950/1960) e depois os opositores ao regime militar (anos 1970/1980). A 'direita' eram os que apoiavam o regime. 
Após o fim da Guerra Fria (1991) o sociólogo inglês Anthony Giddens defendeu uma revisão das social-democracias, que conceituou sob o termo Terceira Via. Giddens trabalhou como assessor do ex-Primeiro-ministro britânico Tony Blair e é professor de Sociologia da Universidade de Cambridge. Em seus livros PARA ALÉM DA ESQUERDA E DA DIREITA e  A TERCEIRA VIA Giddens postula que "a ‘terceira via’ defendida por nós é a social-democracia modernizada. Ela é um movimento de centro-esquerda, ou do que temos chamado de ‘centro radical’. Radical, porque não abandonou a política de solidariedade que tradicionalmente foi defendida pela esquerda. De centro, porque reconhece a necessidade de trabalhar alianças que proporcionem uma base para ações práticas. Da comparação entre os diversos países que têm lidado com essa hipótese, percebe-se que está emergindo uma agenda comum.”
Para alguns o perfil real que emerge da Terceira Via não podia ser outro: uma esquerda disfarçada de centro. Por suas próprias características, ela tem que aparecer sorridente. Suas definições são vagas e imprecisas. Em seus métodos, não estão ausentes elementos da velha práxis marxista. Sua meta, sobretudo, coincide com o objetivo último da esquerda: uma sociedade igualitária. Para outros esse modelo afasta-se da tradição original da social democracia e empenha-se em reafirmar e reforçar os vícios do neoliberalismo, como a desregulamentação econômica, a economia predominando sobre o social, sendo os ministros da economia e os presidentes dos bancos centrais o coração de seus governos, havendo subordinação de comportamentos segundo as pesquisas de opinião, bem como o processo de alianças possíveis e impossíveis.
A inconstância e a variedade dos discursos ideológicos da esquerda e da direita, para não mencionar suas freqüentes inversões e enxertos mútuos, tornam tão difícil apreender conceptualmente a diferença entre essas duas correntes políticas, que muitos estudiosos desistiram de fazê-lo e optaram por tomá-las como meros rótulos convencionais ou publicitários, sem qualquer conteúdo preciso. 

segunda-feira, março 19, 2012

ESCRAVIDÃO

                   De acordo com o NOVÍSSIMO DICIONÁRIO DE ECONOMIA, Organizado por PAULO SANDRONI ESCRAVIDÃO é “Condição em que um ser humano, o escravo, é propriedade de outro, o senhor, dono absoluto do produto de seu trabalho.Em sua forma plena, a condição de escravo  é perpétua e hereditária, isto é, transmissível aos descendentes do cativo. O escravo constitui também uma mercadoria, podendo portanto ser objeto de compra e venda, herança, doação, aluguel, hipoteca e seqüestro judicial. A escravidão surgiu no processo de desagregação da primitiva comunidade tribal, quando eram feitos prisioneiros de guerra. No Egito Antigo, na África Negra e nos impérios orientais, prevaleceu a escravidão doméstica, pois raramente o escravo era empregado em trabalhos produtivos. Foi na Grécia e em Roma que surgiram as primeiras economias escravistas: os escravos eram empregados em trabalhos domésticos, artesanato, mineração, agricultura e navegação. Durante a Idade Média, a escravidão permaneceu apenas como elemento residual, raro, mas durante a reconquista cristã da península ibérica (séculos XIII-XV), ela recrudesceu com o aprisionamento de guerreiros muçulmanos. Depois, com a colonização européia do continente americano, a escravidão voltou a ser amplamente praticada: foram escravizados milhões de indígenas e cerca de 15 milhões de negros africanos foram trazidos como escravos para trabalhar nas minas e plantações do Novo Mundo. A escravidão negra em terras americanas estendeu-se do século XVI ao XIX, sendo Cuba (1880) e o Brasil (1888) os últimos países a decretar definitivamente sua extinção.”
            Em suma, a escravidão foi uma forma de trabalho forçado em que alguns membros da sociedade detinham direito de propriedade sobre outras pessoas.
            Na história da humanidade existiram dois tipos de escravidão. O primeiro tipo foi a denominada “clássica”, que ocorreu no período da Antiguidade - Grécia, Roma, Egito, China, Mesopotâmia, Índia, etc. -, diferente da escravidão “moderna” ou “colonial” que vigorou após 1492 na América espanhola e 1500 na América portuguesa.
            A primeira era geralmente uma forma de trabalho compulsório (obrigatório) que produzia para o mercado ou para uma economia de subsistência ou para mercados muito limitados. A escravidão na Roma Antiga, de uma maneira geral, era resultante de escravidão por dívidas e, o que era mais comum, como produto de guerras em que os derrotados eram submetidos à escravidão. Os escravos eram utilizados tanto no setor doméstico como no setor produtivo, sendo que muitos escravos gregos em Roma notabilizaram-se como preceptores dos filhos de seus senhores romanos.
Apesar se sua importância, os atenienses consideravam o escravo como um animal. Leia esse texto escrito pelo filósofo Aristóteles:

-“... As propriedades são uma reunião de instrumentos e o escravo é uma propriedade instrumental animada ... Se cada instrumento pudesse executar  por sí próprio a vontade ou o pensamento do dono (...) os senhores não teriam necessidade de escravos. Todos aqueles que nada tem de melhor para nos oferecer que o uso de seu corpo e dos seus membros são condenados pela natureza à escravidão. É melhor para eles servir que serem abandonados a sí próprios. Numa palavra, é naturalmente escravo quem tem tão pouca alma e tão poucos meios que deve resolver-se a depender de outrem ... O uso dos escravos e dos animais é aproximadamente o mesmo...”  - Aristóteles: Política
             A escravidão moderna era uma instituição intimamente associada ao desenvolvimento do mercantilismo  - fase de acumulação primitiva do capital.
            Praticamente existindo em quase toda a América, a escravidão tornou-se a forma predominante de organização do trabalho somente naquelas áreas onde os europeus encontraram a conjugação de duas condições: a possibilidade de produzir metais preciosos (ouro e prata, por exemplo) ou produtos agrícolas de exportação para o mercado europeu (por exemplo, açúcar e tabaco) e a falta de uma população aborígene que pudesse ser introduzida ou obrigada a fornecer trabalho barato adequado por outros meios que não a escravidão.
            A escravidão chegou ao Brasil junto com a produção da cana-de-açúcar. O primeiro modelo escravista aqui implantado foi a do nativo (índio), que durou de 1500 até aproximadamente 1570. As pressões religiosas e a suscetibilidade dos indígenas às doenças trazidas pelos europeus, concorreram para que ao final do século XVI fossem introduzidos os escravos africanos. A escravidão negra sucedeu e não antecedeu à indígena. Nos lugares onde não houve condições para a implantação do trabalho negro, prevaleceu a escravidão do índio.
            No final dos quinhentos, a produção açucareira alcançou importante lugar na alimentação européia e a sua produção precisava, cada vez mais, de mão-de-obra escrava para o seu cultivo. Essa mão-de-obra era buscada no continente africano, contribuindo assim com a rentabilidade do tráfico de escravos pelo oceano Atlântico. Durante mais de 300 anos em que esse sistema vigorou, alguns milhões de negros africanos amontoados nos desumanos navios negreiros e outros tantos milhares que morriam antes de alcançar a costa brasileira ou logo que aqui desembarcassem, eram comprados em grandes feiras públicas ou em galpões como “simples mercadorias”. Portanto, são os motivos econômicos que explicam a implantação da escravidão negra.
            Como lembra o historiador Eric William, a escravidão “não nasceu do racismo: ao contrário, o racismo foi uma conseqüência da escravidão”. O trabalho na América era negro, branco, moreno e amarelo, assim como, católico, protestante e pagão.

quarta-feira, novembro 30, 2011

TV APARECIDA

No dia 14 de Outubro participei de um programa na TV Aparecida chamado ETC.....
A conversa foi boa. Quem tiver paciência... abaixo os vídeos

PRIMEIRO BLOCO










SEGUNDO BLOCO





TERCEIRO BLOCO


quarta-feira, agosto 24, 2011

FRASE TRISTE DO DIA -SAIU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS.

  “Que país é este que junta milhões numa marcha gay, outros milhões numa marcha evangélica, muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção?”

sexta-feira, janeiro 14, 2011

SOBRE O ÓBVIO

"Sobre o Óbvio" foi a vídeo-poesia apresentada como trabalho final na disciplina de Política e Organização da Educação Básica no Brasil - II (POEB II), do curso de Pedagogia, da Faculdade de Educação, na Universidade de São Paulo (FEUSP), ministrado pelo Prof. Dr. Marcos Ferreira Santos, no segundo semestre de 2010. O vídeo é uma adaptação do artigo do antropólogo Darcy Ribeiro, de 1977, publicado em livro homônimo.








Para ler o texto na íntegra CLIQUE AQUI

segunda-feira, novembro 01, 2010

DILMA ROUSSEFF É ELEITA A PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE DA REPÚBLICA

O Brasil elegeu ontem, 31 de outubro de 2010, a primeira mulher presidente da República. Dilma Rousseff venceu com 56,05% dos votos válidos. Seu adversário do PSDB, José Serra, teve 43,95%.
Dilma será a 30ª pessoa a ocupar a  Presidente da República.

Os brasileiros que ocuparam efetivamente a presidência da República foram: Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Moraes, Campos Salles, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Brás, Epitácio Pessoa, Artur Bernardes, Washington Luiz, Getulio Vargas, Eurico Gaspar Dutra, Getúlio Vargas, Café Filho, Juscelino Kubitschek , Jânio Quadros, João Goulart, Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Ernesto Geisel, João Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso,  Luiz Inácio Lula da Silva. A a partir do dia 1° de janeiro de 2011, Dilma Rousseff


Sua vitória teve a participação do cabo eleitoral mais popular do País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mesmo sem estar participando diretamente do pleito, teve papel fundamental ao transferir todo seu elevado índice de popularidade à candidata que escolheu pessoalmente para disputar sua sucessão e levá-la à vitória nas urnas neste segundo turno, mesmo sendo uma estreante na seara de uma disputa eleitoral e concorrendo com um nome forte da oposição, o ex-governador tucano José Serra.

Se dependesse dos números das primeiras pesquisas eleitorais divulgadas em 2007, a candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República jamais teria sido levada adiante. Em outubro de 2007, a pesquisa CNT/Sensus mostrava a então ministra-chefe da Casa Civil com 5,7%. Essa mesma pesquisa, contudo, mostrava que cerca de 35% dos entrevistados poderiam votar em alguém apoiado por Lula. Com base nessa sinalização, o presidente traçou um engenhoso plano para lançá-la na arena da disputa presidencial, trabalhando intensamente para colar sua imagem à de Dilma.

E a estratégia funcionou. Coube a Dilma o lançamento de uma das maiores vitrines do governo, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2007. No ano seguinte, Lula a batizou de "mãe do PAC". Como boa discípula, Dilma se autonomeou durante a campanha eleitoral de "mãe do Luz para Todos", programa do governo federal, criado em 2003, com o objetivo de levar energia elétrica às áreas rurais do País. E no decorrer da campanha, quando já liderava a corrida presidencial, assumiu de vez o instinto maternal e disse que pretendia ser, na Presidência, a "mãe de todos os brasileiros".

Dilma nasceu em Belo Horizonte em 14 de dezembro de 1947 e na juventude militou contra a ditadura, atuando no Comando de Libertação Nacional (Colina) em Belo Horizonte, no final dos anos 60. Ela é classificada como durona, rígida, séria, competente, inteligente, extremamente dedicada ao trabalho. Implacável com quem enrola e exigente com os subordinados. Comandou o Ministério de Minas e Energia de 2003 a 2005, até ir para a Casa Civil com a queda de José Dirceu da Casa Civil no escândalo do mensalão. Na nova função, tornou-se uma "mulher dura cercada de homens meigos", como ela mesma definiu.

A ex- ministra já foi filiada ao PDT, mas em 2000 filiou-se ao PT, partido que lhe abriu as portas para chegar ao mais alto cargo do País. Até o final deste ano, completará 63 anos. Dilma já casou e se separou duas vezes com ativistas políticos que lutavam contra a ditadura, mãe de uma filha, Paula Rousseff Araújo, e avó de um neto, Gabriel, que nasceu no dia 9 de setembro deste ano. É dona de Nego, labrador preto e companheiro de caminhadas matinais.

Um de seus melhores amigos, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), é quem melhor define a personalidade da nova presidente do Brasil: "Ela trabalha o tempo todo e não deixa nada sem solução. Além disso, acredita que não foi por acaso que sobreviveu à ditadura, quando chegou a ser torturada, sobreviveu para cumprir a tarefa da nossa geração e deixar um País mais justo e solidário do que aquele que nós encontramos."

Este blogueiro, na condição de cidadão, pai e  professor nutre a esperança que o seu governo dê continuidade às políticas sociais do goveno Lula que, "pela primeira vez na história deste país", implantou um programa de governo combinando crescimento econômico, desenvolvimento social e distribuição de renda implicando a saída de milhões de brasileiros da pobreza. Desejo ardentemente que o o governo Dilma   assuma a qualidade da educação como prioridade nacional.  No governo Lula, o combate à pobreza logrou êxito. Dilma Rousseff, torne meta do seu governo a EDUCAÇÃO! Um excelente governo para todos nós!

sexta-feira, outubro 15, 2010

Aborto: contra ou a favor?



Nas últimas semanas emergiu o antigo debate acerca da legalização ou não do aborto. O tema é polêmico, pois como toda questão que evolve a vida humana , está permeado pela complexidade. Envolve paixões políticas, crenças religiosas e valores morais que  por vezes se misturam e impedem uma visão lúcida acerca da questão. O que tenho assitido são manifestações histéricas disseminadas pela rede. E, quando a histeria predomina o território da civilização se esgarça e em seu lugar emerge a barbárie. Não preciso citar o nazismo como exemplo.

Até agora, só li uma manifestação lúcida acerca da questão  que compartilho com vocês: Trata-se do pensamento do psicanalista Contardo Caligaris que considera:

Uma eleição é o pior momento para debater qualquer questão que seja. Numa eleição, as pessoas precisam ser a favor ou contra. Ora, as pretensas discussões entre "a favor" e "contra" me inspiram o mesmo mal-estar que sinto quando assisto a uma cena de violência. Faz sentido porque, nessas discussões, ninguém argumenta, cada um apenas reafirma abstratamente sua identificação: em "eu sou a favor" e "eu sou contra", o que mais importa é reforçar o "eu". Com isso, inevitavelmente essas discussões menosprezam, atropelam e violentam a vida concreta de todos. Depois desse preâmbulo, talvez eu consiga, numa coluna futura, escrever sobre a questão do aborto. Enquanto isso, eis uma leitura que recomendo a todos os que preferem pensar a gritar: "O Drama do Aborto: Em Busca de um Consenso", de dois médicos, A. Faúndes e J. Barzelatto (Komedi). Sobre o tema, talvez esse seja o escrito mais honesto, menos tendencioso e mais generoso que já li. 

Minha opinião acerca da temática é que esse não é um tema que possa ser submetido a princípios religiosos. As religiões podem propor determinado comportamento aos seus fiéis. Podem também propor à sociedade a discussão de suas ideias morais. Porém, em um Estado que não é teocrático, jamais esses princípios e valores podem ser impostos a toda a sociedade. O Estado não poderia, sob pena de violar a Constituição, submeter-se às religiões. Isso é a negação da democracia, das liberdades civis. Seria uma ameaça ao princípio de separação entre o Estado e a Igreja. . Pautar-se por princípios religiosos é infringir  a Constituição. Isso não é ser contra a religião. Ao contrário. O Estado laico é que garante a liberdade religiosa, pois garante a todos o direito de professar a sua fé e, inclusive, o de não professar nenhuma.
Concordo com Contardo Caligaris. Eleição não é o melhor momento para dabeter esse tema., pois as paixões e os interesses estão à flor da pele. Ao meu ver a questão está sendo instrumentalizada e isso não é racional. E tudo que não é racional, é barbárie. A não é no ventre barbárie que se defende o direito à vida e o direito à decidir. Na barbárie só existe ódio, intolerância e violência. 

MATÉRIA DA REVISTA VEJA: QUANDO COMEÇA A VIDA?




quarta-feira, agosto 25, 2010

CENSO 2010

Teve início no mês de Agosto o censo 2010, levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em todo o país. É importante ressaltar que o IBGE é uma de nossas instituições mais confiáveis e os dados do censo são extremamente importantes para quem se envolve com políticas públicas.
O censo é realizado de forma bem feita, séria, e usa critérios que são comparáveis de um ano para o outro. Sendo assim, o uso dos dados do censo é essencial a qualquer planejamento de política pública. E esse ano nós temos novidades importantes, uma delas é um assunto sobre o qual eu sempre falo aqui: a mobilidade.
Pela primeira vez, o censo vai perguntar às pessoas quanto tempo elas gastam para ir de casa até o trabalho ou o local de estudo e qual meio de transporte elas utilizam. Isso vai ser muito interessante para vermos como está se dando a mobilidade em todo o nosso país.
Há outra novidade muito legal, que vai melhorar bastante a informação sobre as condições de urbanização brasileira: além de perguntar se o domicílio tem água, esgoto e coleta de lixo, como já vinha sendo feito, agora o censo também perguntará sobre pavimentação, iluminação pública e o tipo de material de que é feita a casa, item que já constou do questionário, mas que havia sido excluído. Isso nos dará muito mais informações sobre a situação das cidades brasileiras.
Uma boa novidade desse ano é também o uso de palm tops na realização das pesquisas. Com isso esperamos que os dados do censo sejam divulgados muito mais rápido, já que às vezes isso chega a demorar até dois anos, especialmente os micro-dados, que são mais detalhados. Com mais rapidez na divulgação será possível planejar bem melhor. Para saber mais a respeito CLIQUE AQUI.


sábado, março 27, 2010

BARUERI É AQUI!!!!!!!!!

Fiquei atônito essa semana quando minha companheira Viviane contou-me acerca de uma matéria exibida pelo programa CQC - abaixo:



A continuação da matéria: veja nos links:

CQC 2010 Proteste já sem censura em Barueri o roubo da TV parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=Iapmy1...

CQC 2010 Proteste já sem censura em Barueri o roubo da TV parte 3.
http://www.youtube.com/watch?v=TcQBCO...

CQC 2010 Proteste já sem censura em Barueri o roubo da TV parte 4
http://www.youtube.com/watch?v=DpQmYj...

Proteste já sem censura em Barueri o roubo da TV parte 5.
http://www.youtube.com/watch?v=4RN8aB...

Conforme informações de amigos que trabalham em Barueri o preferido é figurinha carimbada e bem conhecida assim como a galera que o elegeu. 
O cara é forte na região, pelo fato de ser mafioso e testa de ferro dos megaproprietários das megaconstruções que cercam a região. 
Ninguém ousa botar a cara com o "sujeito", porque sabem que vão ter o mesmo tratamento que tiveram Carlos Lamarca, Mariguela, Herzog, Manuel Filho, Rubens Paiva, e outros tantos companheiros que, verdadeiramente lutaram pela democratização deste país.

A situação remete a uma questão e seus desdobramentos : CORRUPÇÃO. O que é? Quais as suas causas? Quais os efeitos? Como combate-la?

O que é?
A palavra corrupção deriva do latim corruptus que, numa primeira acepção, significa quebrado em pedaços e numa segunda acepção, apodrecido, pútrido. Por conseguinte, o verbo corromper significa tornar pútrido, podre.

Curiosidade: Na Roma antiga  os candidatos a cargos públicos vestiam-se de branco durante a candidatura: a palavra candidato vem de candidus (branco, puro). Será que nossos políticos sabem disso?
Numa definição ampla, corrupção política significa o uso ilegal - por parte de governantes, funcionários públicos e agentes privados - do poder político e financeiro de organismos ou agências governamentais com o objetivo de transferir renda pública ou privada de maneira criminosa para determinados indivíduos ou grupos de indivíduos ligados por quaisquer laços de interesse comum – como, por exemplo, negócios, localidade de moradia, etnia ou de fé religiosa.
Os tipos mais comuns de corrupção são:
Suborno ou Propina: a prática de prometer, oferecer ou pagar a uma autoridade, governante, funcionário público ou profissional da iniciativa privada qualquer quantidade de dinheiro ou quaisquer outros favores (desde uma garrafa de bebidas, jóias, propriedades ou até hotel e avião em viagem de férias) para que a pessoa em questão deixe de se portar eticamente com seus deveres profissionais.Políticos podem receber contribuições de campanha e outros pagamentos de grandes empresas para tomarem decisões em seu favor quando eleitos.
Nepotismo: (do latim nepos, neto ou descendente) é o termo utilizado para designar o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos. Originalmente a palavra aplicava-se exclusivamente ao âmbito das relações do papa com seus parentes, mas atualmente é utilizado como sinônimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público. Distingue-se do favoritismo simples, que não implica relações familiares com o favorecido.Nepotismo ocorre assim, quando, por exemplo, um funcionário é promovido por ter relações de parentesco com aquele que o promove, havendo pessoas mais qualificadas e mais merecedoras da promoção.
Uma informação:

Após pesquisa, Rubens Furlan, o prefeito de Baruri é cotado como pré-candidato a vice-governador...

Extorsão: é a prática de se conseguir dinheiro ou quaisquer outros bens de uma pessoa que tem problemas ou negócios que não podem ser conhecidos por mais ninguém. Exemplo: Um político é descoberto em um esquema de corrupção por um colega, este colega passa a exigir dinheiro ou ajuda de qualquer natureza para que este não o denuncie. Esta prática sempre revela na verdade duas ou mais pessoas corruptas em ato.
Tráfico de influência : é um dos crimes praticados por particular contra a administração em geral. Consiste em solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função.

Corrupção no Brasil.

Em seu respeitado relatório anual Assuntos de Governança, que vem sendo publicado desde 1996, o Banco Mundial assinala uma curva descendente no índice que mede a eficiência no combate à corrupção no Brasil. O índice, que avalia 212 países e territórios, registra queda contínua da situação brasileira desde 2003, tendo atingido seu pior nível em 2006, quando atingiu a marca de 47,1 numa escala de 0 a 100 (sendo 100 a avaliação mais positiva). Mesmo se comparado a outros países da América Latina, o Brasil ficou numa posição desconfortável: Chile, Costa Rica e Uruguai obtiveram nota 89,8.
O índice do Banco Mundial mede a percepção dominante entre ONGs e agências internacionais de análise de risco, sobre a corrupção vigente num determinado país. Por isso alguns questionam a influência no índice de uma maior atuação fiscalizadora da imprensa e dos órgãos policiais, em especial a Polícia Federal, que desde 2003 realizou mais de 300 operações.

As causas: As raízes do Brasil.

A corrupção tem raízes históricas. Sérgio Buarque de Holanda em seu livro: Raízes do Brasil refletiu acerca da nossa condição e do nosso destino. O livro, publicado pela primeira vez em 1936 considera que a vida política do Brasil foi dominada pelo mundo familiar rural e que seu resultado mais nefasto é que no Brasil não há separação entre esfera privada e pública.
No Estado patrimonial brasileiro (herança da colonização portuguesa) a gestão pública é assunto de interesses privados das famílias. Falta ao Estado brasileiro a organização impessoal e burocrática, típica de uma sociedade política moderna e racional. No Brasil a urocracia estatal não é organizada racionalmente, para se obter maior agilidade e eficiência, mas com a lógica familiar para acolher e proteger familiares, amigos, clientes, agregados. Ao invés de servir à agilidade e à eficiência, a burocracia, por seu gigantismo e despreparo técnico, serve à lentidão, à inoperância administrativa. A educação familiar cria cidadãos inadaptados em uma sociedade moderna, racional e impessoal. Os filhos são mais aptos para a sociedade quanto mais distantes da família, quanto mais desprotegidos por ela. Somos incapazes de distinguir o público do privado. No Brasil a classe política transforma o Estado e os partidos políticos em assuntos de chefes de familiares.

Como acabar com isso?

Um dos principais problemas que dificultam o combate à corrupção é a cultura de impunidade ainda vigente no país. A justiça é lenta e aqueles que podem pagar bons advogados dificilmente passam muito tempo na cadeia. Em estudo divulgado pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), foi revelado que entre 1988 e 2007 (18 anos), nenhum agente político foi condenado pelo STF. Durante este período, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou apenas cinco autoridades. Segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro, "a demora no processo está vinculada à natureza contenciosa, que assegura direitos para as partes de moverem até o último recurso."
Outro instrumento eficaz no combate à corrupção é a transparência. Conforme indica o economista Marcos Fernandes da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, "para combater a corrupção, é preciso ter políticas de longo prazo, preventivas, é preciso fazer uma reforma administrativa (...). Disseminar a bolsa eletrônica de compras, informatizar os processos de gestão, permitir que o cidadão fiscalize a execução orçamentária on-line".


 
Meu desejo é o de uma organização racional da sociedade, na qual todos possam encontrar o seu lugar e se exprimir em sua originalidade segundo regras universais e consensuais. Um mundo sem senhores e escravos, habitado por cidadãos.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

A QUESTÃO AMBIENTAL E O FUTURO DA HUMANIDADE

É preciso fundar uma ética que concilie melhor o tempo da reposição da base material por meio da existência. É preciso fundar uma ética em que os seres humanos possam exercer sua capacidade criativa, livrando-se de atividades rotineiras e estafantes. É preciso fundar uma ética que gere mais trabalho e menos frustração profissional. A sustentabilidade pode ser uma fonte de cidadania, de uma nova cidadania, que permite a circulação e promoção de idéias e valores por meios materiais extraídos de maneira cautelosa do ambiente. Combinar qualidade de vida e desenvolvimento sustentável com cidadania é um exercício interessante. Ele permite vislumbrar o quanto ainda resta para que a apropriação dos recursos naturais sirva à maioria da população mundial. O artigo de Gilberto Dupas analisa de forma lúcida as tensões e as contradições que o atual paradigma econômico engendrou colocando em risco a sobrevivência dos seres vivos que habitam o planeta.
Cabe a nós a responsabilidade de fundar uma nova ética hoje denominada de SUSTENTABILIDADE.

Para ler o artigo de GILBERTO DUPAS CLIQUE AQUI.
Para ter acesso ao ROTEIRO DE LEITURA CLIQUE AQUI.

Ou acesse o site do Colégio Argumento Objetivo na ÀREA RESTRITA.

Com essa atividade esperamos que além de uma conhecimento crítico acerca do problema  possamos mudar nossas atitudes.
Boa Leitura e um bom trabalho!!!

Jorge e João Batista

terça-feira, outubro 13, 2009

Roda Viva


Na próxima sexta-feira, dia 16 de outubro, o programa Roda Viva irá gravar um programa com Jon Hall, que tem formação em engenharia e ciência da computação.
Ele trabalha com informática desde 1969 e é um defensor do software livre. A Linux International é uma associação sem fins lucrativos que promove sistemas operacionais baseados em Linux.

Para enviar a sua perguntar, favor visitar o site do programa: www.tvcultura.com.br/rodaviva

quarta-feira, setembro 09, 2009

ANISTIA: 30 ANOS

A palavra “anistia” deriva do grego amnestía. Significa esquecimento. Basicamente, anistia é o ato jurídico, por parte do Estado na forma do Poder Legislativo, de perdoar uma ou mais pessoas que cometeram certos delitos, sobretudo no âmbito político. Assim, o Estado torna as acusações sobre os condenados, nula e sem nenhum efeito.

Para alguns, a anistia pode representar uma nova forma de impunidade, sendo um objeto de polêmica. Por esse motivo, os atos de anistia são efetuados somente em ocasiões especiais, como no caso de presos políticos. 

A Lei da Anistia completou 30 anos no dia 28 de agosto. Ela é vista como um dos mais importantes marcos do fim da Ditadura Militar no Brasil, que durou de 1964 a 1985. Ela só foi aprovada devido à pressão popular e o clima de abertura e redemocratização do país.

Depois de sancionada pelo governo, a lei permitiu que políticos, artistas e intelectuais exilados ou banidos voltassem ao país. Mas presos políticos acusados de atos terroristas, assaltos a banco e sequestros não foram soltos de imediato, pois a lei vetava a absolvição para tais crimes.

Apesar de ser comemorada como um golpe contra o regime militar, a Lei da Anistia também serviu aos interesses do governo, pois impediu que oficiais militares fossem levados a julgamento por crimes de tortura e mortes. Há duas formas de se interpretar o texto:

• A Lei da Anistia só beneficia pessoas que foram perseguidas e vítimas do governo brasileiro por conta de seus ideais políticos.
• A anistia a crimes políticos inclui tortura e execuções cometidas pelos militares contra os opositores do regime.

quarta-feira, setembro 02, 2009

CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

O exame do ENEM prioriza o desenvolvimento de competências e habilidades. Competência é a capacidade de resolver situações-problema. É o conjunto de conhecimentos que habilitam as pessoas para desempenhar atividades da vida cotidiana. Uma das competências exigidas pelo ENEM é utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo um atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Nessa competência, o ENEM espera que o aluno compreenda a evolução histórica da cidadania e da democracia e consiga articular propostas de intervenção na sociedade, valorizando esses dois aspectos.
Um caminho para desenvolver essa competência é conhecer a história das  CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS.
A Constituição é a lei fundamental e suprema de um Estado, que contém um conjunto de normas reguladoras referentes, entre outras questões, à forma de governo, à organização dos poderes públicos, à distribuição de competências e aos direitos e deveres dos cidadãos. O Brasil tem na sua história sete constituições, uma no período monárquico e seis no período republicano. (1824, Império; 1891 Republica Velha; 1934, Governo constitucional de Vargas; 1937, Estado Novo; 1946, Republica Liberal; 1967 Ditadura Militar; 1988 Atual Constituição). Veja abaixo:
 
Aspectos fundamentais das constituições brasileiras.


A Constituição do Império

Em 25 de março de 1824, 18 meses depois da Proclamação da Independência, o Brasil teve sua primeira Constituição. Foi a Constituição do Império. O documento foi alterado pelo Ato Adicional de 1834, durante o Período Regencial (1831 a 1840), que determinou a eleição de um único regente para um mandato de quatro anos. O primeiro foi o padre Diogo Antônio Feijó.

A Constituição de 1891

Até a Proclamação da República, em 1889, vigorou a Carta de 1824. Em 24 de fevereiro de 1891 foi promulgada uma nova Constituição, a segunda do Brasil e a primeira do Período Republicano. Em suas disposições transitórias, ela determinava que a Assembléia Constituinte se transformasse em Congresso para eleger o primeiro presidente da República.

A Carta de 1934

Satisfatória durante toda a República Velha (1889 a 1930), a Constituição de 1891 foi substituída em julho de 1934 por uma nova Carta. Foi a terceira do país e a segunda do Período Republicano. Promulgada em julho de 1934, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, ela ampliava os poderes do Executivo, instituía o voto secreto e limitava a atuação do Senado.

A Constituição "Polaca"

A Carta de 1934 foi revogada em 1937, quando Vargas deu um golpe e instaurou o Estado Novo. Nesse mesmo ano, os brasileiros conheceram uma nova Constituição. Conhecida como a "Polaca", introduzia um sistema de governo autoritário, baseado em decretos-leis. Trata-se da quarta Constituição brasileira e da terceira do Período Republicano.

A Carta de 1946

Com a deposição de Getúlio Vargas, em 29 de outubro de 1945, a "Polaca" virou letra morta. Em 5 de fevereiro de 1946 foi instalada uma Assembléia Constituinte que trabalhou até 18 de agosto do mesmo ano. A nova Carta restabelecia a independência dos três poderes e restaurava os direitos civis. Foi a quinta Constituição do país e a quarta da República.

Nova Carta em 1967

O golpe militar de 1964 interrompeu o processo de democratização do país. Mas somente em 1967 os presidentes militares institucionalizaram a ditadura. Uma nova Constituição reduziu os poderes e os direitos do Congresso. Foi a sexta Constituição do país e a quinta do Período Republicano. Essa Carta foi reformada em 1969, quando se incorporaram o AI-5 e os demais atos institucionais, posteriores à Constituição de 1967.

Carta da Redemocratização

Depois de quase 21 anos de regime militar, o Brasil entrou em novo período de redemocratização, que teve como marco a eleição indireta de Tancredo Neves, em janeiro de 1985. O Congresso eleito em 1986 ganhou poderes constituintes e passou a elaborar uma nova Constituição em fevereiro de 1987 – a primeira da nossa história a aceitar emendas populares. Essa Carta, promulgada em 5 de outubro de 1988, é a sétima Constituição brasileira e a sexta da República. Em 4 de junho de 1997, recebeu a chamada emenda da reeleição. Promulgada em sessão extraordinária do Congresso, ela assegura o direito do presidente da República, dos governadores e dos prefeitos de disputar a reeleição.

Lembre-se! Não chega a ser cidadão quem não consegue se orientar no mundo em que vive, a partir do conhecimento da vivência das gerações passadas.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Cidadania...um longo caminho

Os últimos acontecimentos ocorridos no senado brasileiro suscitaram mais uma vez indignação e revolta. Parece-nos que o clamor popular pela ética na política está cada vez mais distante e que não há por parte da classe política nehuma preocupação nesse sentido. Para além de elencar nomes e partidos ocorre-me uma breve refelxão. Um dos traços marcantes é a desvalorização da política, em particular do Legislativo. A ausência de ampla organização autônoma da sociedade faz com que os interesses corporativos consigam prevalecer. A representação política não funciona para resolver os grandes problemas da maior parte da população. O papel dos legisladores reduz-se, para a maioria dos votantes, ao de intermediários de favores pessoais perante o Executivo. O eleitor vota no deputado em troca de promessas de favores pessoais; o deputado apóia o governo em troca de cargos e verbas para distribuir entre seus eleitores. Cria-se uma esquizofrenia política: os eleitores desprezam os políticos, mas continuam votando neles na esperança de benefícios pessoais. Para muitos o remédio está na reforma política. Abolir o voto obrigatório, estabelecer o voto distrital, exigir a fidelidade partidária, impedir que cidadãos que respondem a processos se candidatem estão entre os ítens que poderiam aperfeiçoar a nossa incipiente e frágil democracia. Salienta-se a isso a importância da organização e da participação da sociedade civil como instrumento eficaz no cambate á corrupção. Monitar a ação dos políticos é um bom critério de escolha. Sugiro a todos e todas que visitem o site da Transparência Brasil. Trata-se de uma organização independente e autônoma, fundada em abril de 2000 por um grupo de indivíduos e organizações não-governamentais comprometidos com o combate à corrupção.

sábado, agosto 15, 2009

O DIABO NO REINO DE DEUS

O assunto de maior relevo essa semana em destaque na mídia impressa e eletrônica versa acerca da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) de propriedade do empresário Edir Macedo.
A Igreja e seus líderes são alvo de acusações e denúncias: estariam usando o sagrado espaço da fé para encobrir ações promíscuas. O Ministério Público apurou irregularidades na gestão dos negócios da IURD: ligações com narcotráfico, sonegação de impostos, lavagem de dinheiro, contas em paraísos fiscais entre outras práticas apontadas pelo por um relatório. Para saber mais clique aqui.
Essa notícia suscita reflexões. O espírito do nosso tempo denominado pós-modernidade reconfigurou a experiência religiosa. Com uma estética que combina de forma inédita o sagrado com elementos da indústria do entretenimento e da comunicação de massa, a IURD constitui-se um poderoso empreendimento gerenciado segundo uma racionalidade empresarial moderna que ultrapassa os limites institucionais religiosos. Esse novo modelo religioso é denominado de Teologia da Prosperidade.
O filósofo tcheco Vilém Flusser, afirmou que: “as religiões tradicionais estão em crise. (...) Como indivíduos e como sociedade estamos à procura de um veículo novo para substituir as religiões tradicionais e abrir campo à nossa religiosidade latente.”
Abre-se uma indagação: que alterações atingem a experiência religiosa frente às incertezas de um mundo em transformação?

quarta-feira, abril 15, 2009

LULA É O CARA!!!!



por Marcelo Carneiro da Cunha


É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir, berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man, e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real. Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres: gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas! Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da nossa humanidade. Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o que diferencia um político competente de um estadista. E Lula é um estadista, o maior que já tivemos. Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo, do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre daqui. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal "tenho todos os meus dentes e conheço o meu pai". Uffff. Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver. Na América Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os que nos rodeiam. Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis (inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa. Lula ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela. Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador, fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser. Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal, coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em comércio, bom para todos. Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano. Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera. O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT. Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha. Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça. Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre "banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de economia" que hoje é repetida no mundo inteiro? Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo, acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros, eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso. Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada, digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o cara. O Cara, a nossa cara. Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que tanto precisamos. Dizer "Esse é o cara" afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula. Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos, sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo, até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo que o século 21 nos traz.

E agora Lula, o homem do ano 2009
Le Monde - 24/12/2009


http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2009/12/24/ult580u4111.jhtm

quinta-feira, março 19, 2009

"Ditabranda" para quem? por Maria Victória de Mesquita Benevides


Artigo publicado na revista Carta Capital

Quase ninguém lê editorial de jornais, mas quase todos leem a seção de cartas. E foi assim que tudo começou. Os fatos: a Folha de S.Paulo, em editorial de 17/2, aplica a expressão “ditabranda” ao regime militar que prendeu, torturou, estuprou e assassinou. O primeiro leitor que escreve protestando recebe uma resposta pífia; a partir daí, multiplicam-se as cartas: as dos indignados e as dos que ainda defendem a ditadura. Normal.
Mas eis que chegam a carta do professor Fábio Konder Comparato e a minha: “Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de ‘ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar ‘importâncias’ e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi ‘doce’ se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!” (esta escriba). “O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17/2, bem como o diretor que o aprovou, deveria ser condenado a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana” (Prof. Fábio).
As cartas são publicadas acompanhadas da seguinte Nota da Redação – “A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente ‘cínica e mentirosa’.”
Pronto. Como disseram vários comentaristas, a Folha mostrou a sua cara e acabou dando um tiro no pé. Choveram cartas para o ombudsman do jornal – que se limitou a escrever, quase clandestino, que a resposta pecara por falta de “cordialidade”. Um manifesto de repúdio ao jornal e de solidariedade, organizado pelo professor Caio Navarro de Toledo, da Unicamp – com a primeira adesão de Antonio Candido, Margarida Genevois e Goffredo da Silva Telles – passa imediatamente a circular na internet e, apesar do carnaval, conta com mais de 3 mil assinaturas. Neste, depoimentos veementes de acadêmicos, jornalistas (inclusive nota do sindicato paulista), artistas, estudantes, professores do ensino fundamental e médio, além de blogs. Vítimas da repressão escrevem relatos de suas experiências e até enviam fotos terríveis. A maioria lembra, também, o papel da empresa Folha da Manhã na colaboração com a famigerada Oban.
O que explica essa inacreditável estupidez da Folha?
A meu ver, três pontos devem ser levantados: 1. A combativa atuação do advogado Comparato para impedir que os torturadores permaneçam “anistiados” (atenção: o caso será julgado em breve no STF!). 2. O insidioso revisionismo histórico, com certos acadêmicos, políticos e jornalistas, a quem não interessa a campanha pelo “Direito à Memória e à Verdade”. 3. A possível derrota eleitoral do esquema PSDB-DEM, em 2010. (Um quarto ponto fica para “divã de analista”: os termos da nota – não assinada – revelam raiva e rancor, extrapolando a mais elementar ética jornalística.)
Dessa experiência, para mim inédita, ficou uma reflexão dolorosa, provocada pela jornalista Elaine Tavares, do blog cearense Bodega Cultural, que reclama: “Sempre me causou espécie ver a intelectualidade de esquerda render-se ao feitiço da Folha, que insistia em dizer que era o ‘mais democrático’ ou que ‘pelo menos abria um espaço para a diferença’. Ora, o jornal dos Frias pode ser comparado à velha historinha do lobo que estudou na França e voltou querendo ser amigo das ovelhas. Tanto insistiu que elas foram visitá-lo. Então, já dentro da casa do lobo ele as comeu. Uma delas, moribunda, lamentou: ‘Mas você disse que tinha mudado’... E ele, sincero: ‘Eu mudei, mas não há como mudar os hábitos alimentares’. E assim é com a Folha (...). São os hábitos alimentares”.
O que fazer? Muito. Há a imprensa independente, como esta CartaCapital. Há a internet. Há todo um movimento pela democratização da informação e da comunicação. Há a luta – que sabemos constante – pela justiça, pela verdade, pela república, pela democracia. Onde quer que estejamos.

*Maria Victoria Benevides é socióloga com especialização em Ciências Políticas e professora titular da Faculdade de Educação da USP

terça-feira, janeiro 20, 2009

DISCURSO DE POSSE BARACK OBAMA 20/01/2009

Meus caros concidadãos

Estou aqui hoje humildemente diante da tarefa que temos pela frente, grato pela confiança que vocês depositaram em mim, ciente dos sacrifícios suportados por nossos ancestrais. Agradeço ao presidente Bush pelos serviços que prestou à nação, assim como pela generosidade e a cooperação que ele demonstrou durante esta transição.

Quarenta e quatro americanos já fizeram o juramento presidencial. As palavras foram pronunciadas durante marés ascendentes de prosperidade e nas águas plácidas da paz. Mas de vez em quando o juramento é feito entre nuvens carregadas e tempestades violentas. Nesses momentos, a América seguiu em frente não apenas por causa da visão ou da habilidade dos que ocupavam os altos cargos, mas porque nós, o povo, permanecemos fiéis aos ideais de nossos antepassados e leais aos nossos documentos fundamentais.

Assim foi. Assim deve ser para esta geração de americanos.

Que estamos em meio a uma crise hoje é bem sabido. Nossa nação está em guerra, contra uma ampla rede de violência e ódio. Nossa economia está gravemente enfraquecida, uma consequência da cobiça e da irresponsabilidade de alguns, mas também de nosso fracasso coletivo em fazer escolhas difíceis e preparar o país para uma nova era. Lares foram perdidos; empregos, cortados; empresas, fechadas. Nosso sistema de saúde é caro demais; nossas escolas falham para muitos; e cada dia traz novas evidências de que os modos como usamos a energia reforçam nossos adversários e ameaçam nosso planeta.

Esses são indicadores de crise, sujeitos a dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profundo, é o desgaste da confiança em todo o nosso país -- um temor persistente de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve reduzir suas perspectivas.
Hoje eu lhes digo que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios e são muitos. Eles não serão resolvidos facilmente ou em um curto período de tempo. Mas saiba disto, América -- eles serão resolvidos.

Neste dia, estamos reunidos porque escolhemos a esperança acima do medo, a unidade de objetivos acima do conflito e da discórdia.

Neste dia, viemos proclamar o fim dos sentimentos mesquinhos e das falsas promessas, das recriminações e dos dogmas desgastados que por tanto tempo estrangularam nossa política.
Ainda somos uma nação jovem, mas, nas palavras da escritura, chegou o tempo de pôr de lado as coisas infantis. Chegou o tempo de reafirmar nosso espírito resistente; de escolher nossa melhor história; de levar adiante esse dom precioso, essa nobre ideia, transmitida de geração em geração: a promessa dada por Deus de que todos são iguais, todos são livres e todos merecem a oportunidade de perseguir sua plena medida de felicidade.

Ao reafirmar a grandeza de nossa nação, compreendemos que a grandeza nunca é um fato consumado. Deve ser merecida. Nossa jornada nunca foi de tomar atalhos ou de nos conformar com menos. Não foi um caminho para os fracos de espírito -- para os que preferem o lazer ao trabalho, ou buscam apenas os prazeres da riqueza e da fama. Foram, sobretudo, os que assumem riscos, os que fazem coisas -- alguns célebres, mas com maior frequência homens e mulheres obscuros em seu labor, que nos levaram pelo longo e acidentado caminho rumo à prosperidade e à liberdade.

Por nós, eles empacotaram seus poucos bens terrenos e viajaram através de oceanos em busca de uma nova vida.

Por nós, eles suaram nas oficinas e colonizaram o Oeste; suportaram chicotadas cortantes e lavraram a terra dura.

Por nós, eles lutaram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg, na Normandia e em Khe Sahn.

Incansavelmente, esses homens e mulheres lutaram, se sacrificaram e trabalharam até ralar as mãos para que pudéssemos ter uma vida melhor. Eles viam a América como algo maior que a soma de nossas ambições individuais; maior que todas as diferenças de nascimento, riqueza ou facção.

Esta é a jornada que continuamos hoje. Ainda somos a nação mais próspera e poderosa da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando esta crise começou. Nossas mentes não são menos criativas, nossos produtos e serviços não menos necessários do que foram na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade continua grande. Mas nosso tempo de repudiar mudanças, de proteger interesses limitados e de protelar decisões desagradáveis -- esse tempo certamente já passou. A partir de hoje, devemos nos reerguer, sacudir a poeira e começar novamente o trabalho de refazer a América.

Para todo lugar aonde olharmos há trabalho a ser feito. A situação da economia pede ação ousada e rápida, e vamos agir -- não apenas para criar novos empregos, mas depositar novas bases para o crescimento. Vamos construir estradas e pontes, as redes elétricas e linhas digitais que alimentam nosso comércio e nos unem. Vamos restabelecer a ciência a seu devido lugar e utilizar as maravilhas da tecnologia para melhorar a qualidade dos serviços de saúde e reduzir seus custos. Vamos domar o sol, os ventos e o solo para movimentar nossos carros e fábricas. E vamos transformar nossas escolas, colégios e universidades para suprir as demandas de uma nova era.

Tudo isso nós podemos fazer. E tudo isso faremos.Os passos da posse
Agora, há alguns que questionam a escala de nossas ambições -- que sugerem que nosso sistema não pode tolerar um excesso de grandes planos. Suas memórias são curtas. Pois eles esqueceram o que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem conseguir quando a imaginação se une ao objetivo comum, e a necessidade à coragem.

O que os cínicos não entendem é que o chão se moveu sob eles -- que as discussões políticas mofadas que nos consumiram por tanto tempo não servem mais. A pergunta que fazemos hoje não é se nosso governo é grande demais ou pequeno demais, mas se ele funciona -- se ele ajuda as famílias a encontrar empregos com salários decentes, tratamentos que possam pagar, uma aposentadoria digna. Quando a resposta for sim, pretendemos seguir adiante. Quando a resposta for não, os programas terminarão. E aqueles de nós que administram os dólares públicos terão de prestar contas -- gastar sabiamente, reformar os maus hábitos e fazer nossos negócios à luz do dia -- porque somente então poderemos restaurar a confiança vital entre uma população e seu governo.

Tampouco enfrentamos a questão de se o mercado é uma força do bem ou do mal. Seu poder de gerar riqueza e expandir a liberdade é inigualável, mas esta crise nos lembrou de que sem um olhar vigilante o mercado pode sair do controle -- e que uma nação não pode prosperar por muito tempo quando favorece apenas os prósperos. O sucesso de nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho de nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance de nossa prosperidade; de nossa capacidade de estender oportunidades a todos os corações dispostos -- não por caridade, mas porque é o caminho mais certeiro para o nosso bem comum.

Quanto a nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a opção entre nossa segurança e nossos ideais. Nossos pais fundadores, diante de perigos que mal podemos imaginar, redigiram uma carta para garantir o regime da lei e os direitos do homem, uma carta expandida pelo sangue de gerações. Aqueles ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abandoná-los em nome da conveniência. E assim, para todos os outros povos e governos que nos observam hoje, das maiores capitais à pequena aldeia onde meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de toda nação e de todo homem, mulher e criança que busque um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para liderar novamente.

Lembrem que as gerações passadas enfrentaram o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques, mas com sólidas alianças e convicções duradouras. Elas compreenderam que somente nossa força não é capaz de nos proteger, nem nos dá o direito de fazer o que quisermos. Pelo contrário, elas sabiam que nosso poder aumenta através de seu uso prudente; nossa segurança emana da justeza de nossa causa, da força de nosso exemplo, das qualidades moderadoras da humildade e da contenção.

Somos os mantenedores desse legado. Conduzidos por esses princípios mais uma vez, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem um esforço ainda maior -- maior cooperação e compreensão entre as nações. Vamos começar de maneira responsável a deixar o Iraque para sua população, e forjar uma paz duramente conquistada no Afeganistão. Com antigos amigos e ex-inimigos, trabalharemos incansavelmente para reduzir a ameaça nuclear e reverter o espectro do aquecimento do planeta. Não pediremos desculpas por nosso modo de vida, nem vacilaremos em sua defesa, e aos que buscam impor seus objetivos provocando o terror e assassinando inocentes dizemos hoje que nosso espírito está mais forte e não pode ser dobrado; vocês não podem nos superar, e nós os derrotaremos.

Pois sabemos que nossa herança de colcha de retalhos é uma força, e não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus -- e de descrentes. Somos formados por todas as línguas e culturas, saídos de todos os cantos desta Terra; e como provamos o sabor amargo da guerra civil e da segregação, e emergimos daquele capítulo escuro mais fortes e mais unidos, só podemos acreditar que os antigos ódios um dia passarão; que as linhas divisórias logo se dissolverão; que, conforme o mundo se tornar menor, nossa humanidade comum se revelará; e que a América deve exercer seu papel trazendo uma nova era de paz.

Ao mundo muçulmano, buscamos um novo caminho à frente, baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. Para os líderes de todo o mundo que buscam semear conflito, ou culpam o Ocidente pelos males de sua sociedade -- saibam que seu povo os julgará pelo que vocês podem construir, e não pelo que vocês destroem. Para os que se agarram ao poder através da corrupção e da fraude e do silenciamento dos dissidentes, saibam que vocês estão no lado errado da história; mas que lhes estenderemos a mão se quiserem abrir seu punho cerrado.

Aos povos das nações pobres, prometemos trabalhar ao seu lado para fazer suas fazendas florescer e deixar fluir águas limpas; alimentar corpos famintos e nutrir mentes famintas. E para as nações como a nossa, que gozam de relativa abundância, dizemos que não podemos mais suportar a indiferença pelos que sofrem fora de nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem pensar nas consequências. Pois o mundo mudou, e devemos mudar com ele.

Ao considerar o caminho que se desdobra a nossa frente, lembramos com humilde gratidão daqueles bravos americanos que, nesta mesma hora, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos dizer hoje, assim como os heróis caídos que repousam em Arlington sussurram através dos tempos. Nós os honramos não só porque são os guardiões de nossa liberdade, mas porque eles personificam o espírito de servir; a disposição para encontrar significado em algo maior que eles mesmos. No entanto, neste momento -- um momento que definirá uma geração -- é exatamente esse espírito que deve habitar em todos nós.

Pois por mais que o governo possa fazer e deva fazer, afinal é com a fé e a determinação do povo americano que a nação conta. É a bondade de hospedar um estranho quando os diques se rompem, o altruísmo de trabalhadores que preferem reduzir seus horários a ver um amigo perder o emprego, que nos fazem atravessar as horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro para subir uma escada cheia de fumaça, mas também a disposição de um pai a alimentar seu filho, o que finalmente decide nosso destino.

Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que depende nosso sucesso -- trabalho duro e honestidade, coragem e justiça, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo -- essas são coisas antigas. São coisas verdadeiras. Elas têm sido a força silenciosa do progresso durante toda a nossa história. O que é exigido de nós hoje é uma nova era de responsabilidade -- um reconhecimento, por parte de todos os americanos, de que temos deveres para nós mesmos, nossa nação e o mundo, deveres que não aceitamos resmungando, mas sim agarramos alegremente, firmes no conhecimento de que não há nada tão satisfatório para o espírito, tão definidor de nosso caráter, do que dar tudo o que podemos em uma tarefa difícil.

Esse é o preço e a promessa da cidadania.

Essa é a fonte de nossa confiança -- o conhecimento de que Deus nos chama para moldar um destino incerto.

Esse é o significado de nossa liberdade e nosso credo -- a razão por que homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as fés podem se unir em comemoração neste magnífico espaço, e por que um homem cujo pai, menos de 60 anos atrás, talvez não fosse atendido em um restaurante local hoje pode se colocar diante de vocês para fazer o juramento mais sagrado.

Por isso vamos marcar este dia com lembranças, de quem somos e do longo caminho que percorremos. No ano do nascimento da América, no mês mais frio, um pequeno bando de patriotas se amontoava junto a débeis fogueiras nas margens de um rio gelado. A capital fora abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado de nossa revolução era mais duvidoso, o pai de nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas para o povo:

"Que seja dito ao mundo futuro ... que na profundidade do inverno, quando nada exceto esperança e virtude poderiam sobreviver ... que a cidade e o país, alarmados diante de um perigo comum, avançaram para enfrentá-lo".

A América, diante de nossos perigos comuns, neste inverno de nossa dificuldade, vamos nos lembrar dessas palavras atemporais. Com esperança e virtude, vamos enfrentar mais uma vez as correntes geladas, e suportar o que vier. Que seja dito pelos filhos de nossos filhos que quando fomos testados nos recusamos a deixar esta jornada terminar, não viramos as costas nem vacilamos; e com os olhos fixos no horizonte e com a graça de Deus sobre nós, levamos adiante o grande dom da liberdade e o entregamos em segurança às futuras gerações.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

fonte: http://noticias.uol.com.br/especiais/posse-barack-obama/ultnot/2009/01/20/ult7169u43.jhtm