No dia 14 de Outubro participei de um programa na TV Aparecida chamado ETC.....
A conversa foi boa. Quem tiver paciência... abaixo os vídeos
PRIMEIRO BLOCO
SEGUNDO BLOCO
TERCEIRO BLOCO
O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável de informações como meio para a construção e aperfeiçoamento da democracia brasileira
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quarta-feira, novembro 30, 2011
sábado, março 05, 2011
Cursinho comunitário oferece 2 mil vagas para estudantes de baixa renda
A UNEafro Brasil anunciou a abertura de duas mil vagas para estudantes de baixa renda em sua rede de cursinhos pré-vestibulares. São 37 cursinhos inseridos em 19 municípios no estado de São Paulo.
As matrículas para este primeiro semestre seguem até dia 12 de março de 2011, mediante a apresentação do RG, CPF e comprovantes de renda e endereço. Para se inscrever, é necessário ter concluído ou estar cursando o ensino médio. O horário de atendimento é das 10h às 15h.
Além dos vestibulares, os cursinhos da UNEafro preparam para o Enem e concursos públicos. O material didático utilizado é fornecido pelo Sistema Poli.
As aulas acontecem aos finais de semana ou de segunda a sexta-feira, no período noturno. Os alunos fazem uma contribuição mensal que não ultrapassa R$ 20.
Para saber o endereço do cursinho mais perto da sua casa, ligue (11) 3105-2516 / 3104-1985, ramal 3. Informações sobre a UNEafro, acesse o siteuneafrobrasil.org
As matrículas para este primeiro semestre seguem até dia 12 de março de 2011, mediante a apresentação do RG, CPF e comprovantes de renda e endereço. Para se inscrever, é necessário ter concluído ou estar cursando o ensino médio. O horário de atendimento é das 10h às 15h.
Além dos vestibulares, os cursinhos da UNEafro preparam para o Enem e concursos públicos. O material didático utilizado é fornecido pelo Sistema Poli.
As aulas acontecem aos finais de semana ou de segunda a sexta-feira, no período noturno. Os alunos fazem uma contribuição mensal que não ultrapassa R$ 20.
Para saber o endereço do cursinho mais perto da sua casa, ligue (11) 3105-2516 / 3104-1985, ramal 3. Informações sobre a UNEafro, acesse o siteuneafrobrasil.org
domingo, fevereiro 27, 2011
PROFESSOR GANHA 40% MENOS QUE MÉDIA DO TRABALHADOR BRASILEIRO COM MESMA ESCOLARIDADE
Recentemente um colega contou-me que na escola onde atua como diretor um jovem recém-formado professor de Biologia muito motivado em suas aulas procurou-o para comunicar o seu desligamento do quadro de professores daquela escola pública.
Motivo: O rapaz é noivo e pretende casar-se. Assim, precisa de recur$os. Atuando como professor com carga completa de 40 horas (o que exige literalmente que dedicação exclusiva) ele recebe líquido pouco menos que R$ 1.500,00. Comunicou ao diretor que encontrou um trabalho formal como motoboy (registrado, com seguro de vida, seguro saúde, vale-alimentação, cesta-básica) e mais um salário líquido de R$ 3.000,00.
Meu colega diretor poderia argumentar que o jovem professor como motoboy corre um risco maior. Mas, ele contra-argumentou dizendo que na escola também corre riscos que vão desde danificar a sua voz até ser ameaçado por traficantes ou pelo conselho tutelar se caso tiver algum atrito com alunos (fato muito comum). Ele já assistiu muitos colegas deixarem a sala de aula por conta de vários incidentes e ainda por cima são obrigados a responder um processo administratuvo....
É assim por isso que educação não anda mesmo!!! Ou é o sucatamento radical da escola pública ou a mercantilização ao extremo da escola privada. A alternativa é ser motoboy!! Tem mais segurança, mais dinheiro e mais glamour pois ninguém trata mal um motoboy quando entrega a encomenda. Já o professor é maltratado quando tenta civilizar os filhos das famílias que nada sabem acerca de respeito, ética, e solidariedade.
O salário médio de um professor da educação básica é 40% menor que a remuneração, também média, de um trabalhador com o mesmo nível de escolaridade. O cálculo foi feito pela economista Fabiana de Felicio com base nos microdados da última edição da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Veja comparação entre salários de professores e de outras ocupações
Enquanto um assalariado, que tem escolaridade superior ao ensino médio, recebe mensalmente R$ 2.799 por 40 horas semanais de serviço, um docente com a mesma quantidade de anos de estudo tem remuneração de R$ 1.745 por mês. O salário médio mais baixo é do Estado de Pernambuco -- R$ 1.219 -- e o mais alto é do Distrito Federal -- R$ 3.472.
Professor ganha 40% menos que trabalhador com mesma escolaridade.
Fabiana faz questão de frisar: "esses são valores médios, o que significa que tem uma parcela da amostra que ganha menos que isso". Segundo ela, a ponderação é importante para não se tirar conclusões precipitadas. Outro ponto para o qual ela pede atenção é sobre a jornada padronizada para a comparação - nem todos os professores trabalham 40 horas por semana. Em geral, a carga horária é menor.
Meta do PNE
A valorização do professor -- considerada essencial para o avanço da qualidade da educação -- é um dos eixos centrais do PNE (Plano Nacional da Educação) que deve ser encaminhado ao Congresso amanhã pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quatro das 20 metas trazidas pelo documento são destinadas a esse fim. O PNE traça os objetivos do país na área da educação para períodos de dez anos.
O aumento do salário do professor "é o mínimo" que deve ser feito para a valorização da carreira, na opinião de Fabiana de Felicio. "Se [isso] não [acontecer], [a profissão] vai continuar atraindo quem se contenta em ganhar um pouco mais que quem tem ensino médio", afirma a economista. O incremento na renda só é significativo quando o salário do docente é comparado com essa faixa de assalariados -- enquanto um trabalhador de nível médio ganha R$ 1.009, um professor com escolaridade equivalente recebe R$ 1.624.
Na média, pelo menos
Para a pesquisadora, o salário do professor tem que alcançar "pelo menos" a média da remuneração dos outros profissionais com superior incompleto ou completo. "O salário é o sinal para atrair novos [e melhores] professores", diz Fabiana.
O tempo de resposta desse investimento na carreira docente, no entanto, é "longo". "Se aumentar hoje, não vamos ter resposta no próximo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos)", explica a economista. Segundo ela, essa pode ser uma das justificativas para que esse tipo de medida -- que é consenso para melhoria da educação -- não tenha sido tomada ainda. Afinal, o "resultado" leva de dez a 15 anos para aparecer enquanto o mandato de um governante é de quatro anos.
Além da falta de retorno eleitoral, o investimento em educação é "caro" - ao elevar o salário dos professores, Estados e municípios têm que aumentar os gastos também com as aposentadorias desses profissionais.
Redução de jornada
Para a presidente da Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual de São Paulo filiado à CUT, Maria Izabel Noronha, a questão da carreira também começa com elevação do salário. Mas vai além disso. Na opinião dela, é preciso melhorar as condições de trabalho dos docentes.
"A questão central diz respeito à organização do espaço e do currículo escolares", diz Maria Izabel. "Uma jornada ideal teria 40 horas semanais, divididas em 20 horas na sala de aula, dez horas para preparo das aulas e as outras dez horas para trabalho pedagógico."
Ela admite, no entanto, que aumentar o salário e reduzir a jornada poderia ser uma política de difícil execução. "Se implantada em São Paulo, a Lei do Piso poderia ser um bom começo", afirma a dirigente sindical. Se fosse necessário escolher entre aumento de salário e redução de jornada, Maria Izabel diz que "não tem primeiro [a ser feito], tem que ser tudo junto".
Para ela, que também é conselheira do CNE (Conselho Nacional de Educação), o PNE traz "variáveis importantes para estruturar a qualidade", como a adoçãoCAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial), a valorização docente e a meta deinvestimento de 7% do PIB (Produto Interno Bruto) na educação.
Pela valorização do professor. Valorização profissional começa com valorização salarial.
Motivo: O rapaz é noivo e pretende casar-se. Assim, precisa de recur$os. Atuando como professor com carga completa de 40 horas (o que exige literalmente que dedicação exclusiva) ele recebe líquido pouco menos que R$ 1.500,00. Comunicou ao diretor que encontrou um trabalho formal como motoboy (registrado, com seguro de vida, seguro saúde, vale-alimentação, cesta-básica) e mais um salário líquido de R$ 3.000,00.
Meu colega diretor poderia argumentar que o jovem professor como motoboy corre um risco maior. Mas, ele contra-argumentou dizendo que na escola também corre riscos que vão desde danificar a sua voz até ser ameaçado por traficantes ou pelo conselho tutelar se caso tiver algum atrito com alunos (fato muito comum). Ele já assistiu muitos colegas deixarem a sala de aula por conta de vários incidentes e ainda por cima são obrigados a responder um processo administratuvo....
É assim por isso que educação não anda mesmo!!! Ou é o sucatamento radical da escola pública ou a mercantilização ao extremo da escola privada. A alternativa é ser motoboy!! Tem mais segurança, mais dinheiro e mais glamour pois ninguém trata mal um motoboy quando entrega a encomenda. Já o professor é maltratado quando tenta civilizar os filhos das famílias que nada sabem acerca de respeito, ética, e solidariedade.
O salário médio de um professor da educação básica é 40% menor que a remuneração, também média, de um trabalhador com o mesmo nível de escolaridade. O cálculo foi feito pela economista Fabiana de Felicio com base nos microdados da última edição da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Veja comparação entre salários de professores e de outras ocupações
Enquanto um assalariado, que tem escolaridade superior ao ensino médio, recebe mensalmente R$ 2.799 por 40 horas semanais de serviço, um docente com a mesma quantidade de anos de estudo tem remuneração de R$ 1.745 por mês. O salário médio mais baixo é do Estado de Pernambuco -- R$ 1.219 -- e o mais alto é do Distrito Federal -- R$ 3.472.
Professor ganha 40% menos que trabalhador com mesma escolaridade.
Fabiana faz questão de frisar: "esses são valores médios, o que significa que tem uma parcela da amostra que ganha menos que isso". Segundo ela, a ponderação é importante para não se tirar conclusões precipitadas. Outro ponto para o qual ela pede atenção é sobre a jornada padronizada para a comparação - nem todos os professores trabalham 40 horas por semana. Em geral, a carga horária é menor.
Meta do PNE
A valorização do professor -- considerada essencial para o avanço da qualidade da educação -- é um dos eixos centrais do PNE (Plano Nacional da Educação) que deve ser encaminhado ao Congresso amanhã pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quatro das 20 metas trazidas pelo documento são destinadas a esse fim. O PNE traça os objetivos do país na área da educação para períodos de dez anos.
O aumento do salário do professor "é o mínimo" que deve ser feito para a valorização da carreira, na opinião de Fabiana de Felicio. "Se [isso] não [acontecer], [a profissão] vai continuar atraindo quem se contenta em ganhar um pouco mais que quem tem ensino médio", afirma a economista. O incremento na renda só é significativo quando o salário do docente é comparado com essa faixa de assalariados -- enquanto um trabalhador de nível médio ganha R$ 1.009, um professor com escolaridade equivalente recebe R$ 1.624.
Na média, pelo menos
Para a pesquisadora, o salário do professor tem que alcançar "pelo menos" a média da remuneração dos outros profissionais com superior incompleto ou completo. "O salário é o sinal para atrair novos [e melhores] professores", diz Fabiana.
O tempo de resposta desse investimento na carreira docente, no entanto, é "longo". "Se aumentar hoje, não vamos ter resposta no próximo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos)", explica a economista. Segundo ela, essa pode ser uma das justificativas para que esse tipo de medida -- que é consenso para melhoria da educação -- não tenha sido tomada ainda. Afinal, o "resultado" leva de dez a 15 anos para aparecer enquanto o mandato de um governante é de quatro anos.
Além da falta de retorno eleitoral, o investimento em educação é "caro" - ao elevar o salário dos professores, Estados e municípios têm que aumentar os gastos também com as aposentadorias desses profissionais.
Redução de jornada
Para a presidente da Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual de São Paulo filiado à CUT, Maria Izabel Noronha, a questão da carreira também começa com elevação do salário. Mas vai além disso. Na opinião dela, é preciso melhorar as condições de trabalho dos docentes.
"A questão central diz respeito à organização do espaço e do currículo escolares", diz Maria Izabel. "Uma jornada ideal teria 40 horas semanais, divididas em 20 horas na sala de aula, dez horas para preparo das aulas e as outras dez horas para trabalho pedagógico."
Ela admite, no entanto, que aumentar o salário e reduzir a jornada poderia ser uma política de difícil execução. "Se implantada em São Paulo, a Lei do Piso poderia ser um bom começo", afirma a dirigente sindical. Se fosse necessário escolher entre aumento de salário e redução de jornada, Maria Izabel diz que "não tem primeiro [a ser feito], tem que ser tudo junto".
Para ela, que também é conselheira do CNE (Conselho Nacional de Educação), o PNE traz "variáveis importantes para estruturar a qualidade", como a adoçãoCAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial), a valorização docente e a meta deinvestimento de 7% do PIB (Produto Interno Bruto) na educação.
Pela valorização do professor. Valorização profissional começa com valorização salarial.
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
Administração do Governo Paulista discrimina professores por obesidade
Nos últimos anos, tornou-se comum a noção de que cada vez menos jovens querem ser professores. Faltava dimensionar com mais clareza a extensão do problema. Um estudo encomendado pela Fundação Victor Civita (FVC) à Fundação Carlos Chagas (FCC) traz dados concretos e preocupantes: apenas 2% dos estudantes do Ensino Médio têm como primeira opção no vestibular graduações diretamente relacionadas à atuação em sala de aula - Pedagogia ou alguma licenciatura.
Só 2% dos entrevistados pretendem cursar Pedagogia ou alguma Licenciatura, carreiras pouco cobiçadas por alunos das redes pública e particular
O Brasil já experimenta as consequências do baixo interesse pela docência. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas no Ensino Médio e nas séries finais do Ensino Fundamental o déficit de professores com formação adequada à área que lecionam chega a 710 mil.
O déficit de professores na rede pública do Estado de São Paulo é de aproximadamente 300 mil segundo estimativa do próprio governo.
Apesar do déficit vejam o que acontece:
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, admitiu nesta manhã que obesidade pode ser motivo para barrar a contratação de professores. Questionado sobre cinco profissionais que denunciaram ao jornal Folha de S.Paulo não terem sido aprovadas no exame médico por conta do peso, ele afirmou nesta manhã que “não é uma questão de aparência, mas legal”.
Segundo ele, os critérios técnicos são estabelecidos pelo estatuto do funcionário público, que exige “aptidão física”. O governador, no entanto, disse que cabe recurso. “Caso o resultado do exame de saúde tenha sido considerado injusto, as pessoas podem recorrer. Se houver algum erro será imediatamente corrigido.”
De acordo com a reportagem, cinco mulheres com peso entre 90kg e 114kg, que haviam passado por concurso para efetivação na rede foram reprovadas no exame médico. Duas delas teriam ouvido dos médicos que a obesidade as reprovaria.
Ao todo, o Estado aprovou 9.304 novos professores aprovados em concurso no ano passado.
O sindicato dos professores (Apeoesp) divulgou nota de indignação com a decisão de impedir a contratação de obesas. “Nós temos reivindicado que o governo de São Paulo convoque todos os 56 mil aprovados no recente concurso e que realize mais concursos públicos para docentes na rede estadual, tendo em vista que faltam professores de diversas disciplinas e que não é mais possível manter um contingente tão elevado de professores não efetivos na maior rede de ensino do país. Entretanto, além de não atender nossa reivindicação, o governo estadual ainda utiliza justificativas inaceitáveis para impedir que candidatos aprovados tomem posse.”, afirma a nota.
O secretário de Educação, Herman Voorwald, não quis falar sobre a questão da obesidade e disse que esta é uma questão da Secretaria de Gestão, responsável pelas contratações.
Só 2% dos entrevistados pretendem cursar Pedagogia ou alguma Licenciatura, carreiras pouco cobiçadas por alunos das redes pública e particular
O Brasil já experimenta as consequências do baixo interesse pela docência. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas no Ensino Médio e nas séries finais do Ensino Fundamental o déficit de professores com formação adequada à área que lecionam chega a 710 mil.
O déficit de professores na rede pública do Estado de São Paulo é de aproximadamente 300 mil segundo estimativa do próprio governo.
Apesar do déficit vejam o que acontece:
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, admitiu nesta manhã que obesidade pode ser motivo para barrar a contratação de professores. Questionado sobre cinco profissionais que denunciaram ao jornal Folha de S.Paulo não terem sido aprovadas no exame médico por conta do peso, ele afirmou nesta manhã que “não é uma questão de aparência, mas legal”.
Segundo ele, os critérios técnicos são estabelecidos pelo estatuto do funcionário público, que exige “aptidão física”. O governador, no entanto, disse que cabe recurso. “Caso o resultado do exame de saúde tenha sido considerado injusto, as pessoas podem recorrer. Se houver algum erro será imediatamente corrigido.”
De acordo com a reportagem, cinco mulheres com peso entre 90kg e 114kg, que haviam passado por concurso para efetivação na rede foram reprovadas no exame médico. Duas delas teriam ouvido dos médicos que a obesidade as reprovaria.
Ao todo, o Estado aprovou 9.304 novos professores aprovados em concurso no ano passado.
O sindicato dos professores (Apeoesp) divulgou nota de indignação com a decisão de impedir a contratação de obesas. “Nós temos reivindicado que o governo de São Paulo convoque todos os 56 mil aprovados no recente concurso e que realize mais concursos públicos para docentes na rede estadual, tendo em vista que faltam professores de diversas disciplinas e que não é mais possível manter um contingente tão elevado de professores não efetivos na maior rede de ensino do país. Entretanto, além de não atender nossa reivindicação, o governo estadual ainda utiliza justificativas inaceitáveis para impedir que candidatos aprovados tomem posse.”, afirma a nota.
O secretário de Educação, Herman Voorwald, não quis falar sobre a questão da obesidade e disse que esta é uma questão da Secretaria de Gestão, responsável pelas contratações.
sexta-feira, janeiro 14, 2011
SOBRE O ÓBVIO
"Sobre o Óbvio" foi a vídeo-poesia apresentada como trabalho final na disciplina de Política e Organização da Educação Básica no Brasil - II (POEB II), do curso de Pedagogia, da Faculdade de Educação, na Universidade de São Paulo (FEUSP), ministrado pelo Prof. Dr. Marcos Ferreira Santos, no segundo semestre de 2010. O vídeo é uma adaptação do artigo do antropólogo Darcy Ribeiro, de 1977, publicado em livro homônimo.
Para ler o texto na íntegra CLIQUE AQUI
domingo, setembro 19, 2010
Parceria escola-família
Quando as notas são altas e tudo vai bem, ninguém pensa em discutir a relação. Se o boletim e o comportamento deixam a desejar, começa o jogo de empurra. Professores culpam a família “desestruturada”, que não impõe limites nem se interessa pela Educação. Os pais, por sua vez, acusam a escola de negligente, quando não tacham o próprio filho de irresponsável. Nessa briga – nada saudável –, a única vítima é o aluno. (trecho extraído da revista Nova Escola, jun./jul. 2006, p. 32).
A mudança é visível. Na Europa, por exemplo, quando um professor dá nota baixa a um aluno, é certo que os pais vão aparecer na escola no dia seguinte para reclamar com ele. Há vinte, trinta anos, era o aluno que tinha de dar satisfações aos pais diante do professor. É uma completa inversão. (trecho extraído da entrevista realizada com o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun, “Ensinem os filhos a falhar” à revista Veja em 9 dez. 2009, edição 2.142).
VEJA – Costuma-se atribuir o mau comportamento dos filhos à falta da estrutura familiar tradicional, como a que ocorre após uma separação. Qual a exata influência que isto pode ter?
JPL – Uma família organizada de forma aparentemente harmônica não necessariamente faz de um jovem uma pessoa capaz de conviver e suportar o sofrimento inerente à condição humana. Esta capacidade pode ser pequena em famílias aparentemente realizadas, com estrutura sólida. Assim como pode ser enorme em uma família conflituosa, dividida, conturbada. Por isso não se deve levar em conta apenas o aspecto exterior da família. O que vale é a capacidade dos pais em fazer os filhos crescerem. De incutir-lhes a verdadeira condição humana. Este é o bom ambiente familiar, independentemente do desenho que a família tenha.
Uma pesquisa realizada pelo instituto La Fabricca do Brasil, em conjunto com o Ministério da Educação, mostrou que há um desejo explícito por mais intimidade entre escola e família? 77,2% dos pais acham que um bom relacionamento entre as duas partes é raro, mas 43,7% gostariam que a escola promovesse mais reuniões, palestras e encontros para eles. Já 77,2% dos professores de instituições públicas consideram insatisfatória a participação dos familiares, mas 99,5% creem ser de extrema importância um contato mais estreito. (Fonte: revista Nova Escola, jun./jul. 2006, p. 33).
Rosely Sayão considera que " é preciso olhar para esse mundo e pensar qual projeto desenvolver para que as crianças não sejam fatalidades do destino social. A escola precisa ter uma utopia. Caso contrário, não há sentido em sua existência."
Leia como o psicanalista belga, Jean-Pierre Lebrun, estudioso das relações familiares, coloca-se quando entrevistado pela revista Veja. Para ler na íntegra a entrevista "Ensinem os filhos a falhar" acesse o site.
Recomendações do MEC para que os pais participem do dia a dia de seus filhos:
A mudança é visível. Na Europa, por exemplo, quando um professor dá nota baixa a um aluno, é certo que os pais vão aparecer na escola no dia seguinte para reclamar com ele. Há vinte, trinta anos, era o aluno que tinha de dar satisfações aos pais diante do professor. É uma completa inversão. (trecho extraído da entrevista realizada com o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun, “Ensinem os filhos a falhar” à revista Veja em 9 dez. 2009, edição 2.142).
VEJA – Costuma-se atribuir o mau comportamento dos filhos à falta da estrutura familiar tradicional, como a que ocorre após uma separação. Qual a exata influência que isto pode ter?
JPL – Uma família organizada de forma aparentemente harmônica não necessariamente faz de um jovem uma pessoa capaz de conviver e suportar o sofrimento inerente à condição humana. Esta capacidade pode ser pequena em famílias aparentemente realizadas, com estrutura sólida. Assim como pode ser enorme em uma família conflituosa, dividida, conturbada. Por isso não se deve levar em conta apenas o aspecto exterior da família. O que vale é a capacidade dos pais em fazer os filhos crescerem. De incutir-lhes a verdadeira condição humana. Este é o bom ambiente familiar, independentemente do desenho que a família tenha.
Uma pesquisa realizada pelo instituto La Fabricca do Brasil, em conjunto com o Ministério da Educação, mostrou que há um desejo explícito por mais intimidade entre escola e família? 77,2% dos pais acham que um bom relacionamento entre as duas partes é raro, mas 43,7% gostariam que a escola promovesse mais reuniões, palestras e encontros para eles. Já 77,2% dos professores de instituições públicas consideram insatisfatória a participação dos familiares, mas 99,5% creem ser de extrema importância um contato mais estreito. (Fonte: revista Nova Escola, jun./jul. 2006, p. 33).
Rosely Sayão considera que " é preciso olhar para esse mundo e pensar qual projeto desenvolver para que as crianças não sejam fatalidades do destino social. A escola precisa ter uma utopia. Caso contrário, não há sentido em sua existência."
Leia como o psicanalista belga, Jean-Pierre Lebrun, estudioso das relações familiares, coloca-se quando entrevistado pela revista Veja. Para ler na íntegra a entrevista "Ensinem os filhos a falhar" acesse o site.
Recomendações do MEC para que os pais participem do dia a dia de seus filhos:
- cultive o hábito da leitura em sua casa;
- ajude seu filho a conservar o livro didático, pois o material servirá para outros alunos futuramente;
- acompanhe sua frequência às aulas e sua participação nas atividades escolares;
- visite a escola de seus filhos sempre que puder;
- observe se estão felizes;
- verifique a limpeza e a conservação das salas e demais dependências da escola;
- converse com outras mães, pais ou responsáveis sobre o que vocês observam na escola;
- converse com os professores sobre dificuldades e habilidades do seu filho;
- peça orientação aos professores e diretores, caso perceba alguma dificuldade no desempenho de seu filho - procure saber o que fazer para ajudar;
- acompanhe as lições de casa;
- participe das atividades escolares e compareça às reuniões da escola (dê sua opinião);
- participe do Conselho Escolar.
domingo, agosto 29, 2010
Lição de Casa?
Como os estudantes se relacionam com a lição de casa e quais são suas principais queixas em relação a essa estratégia pedagógica? Veja a tirinha abaixo:
Observe que Calvin (na tira), em sua ingênua malandragem, se julga esperto ao “matar” uma pegadinha da lição de casa. Para ele, nas lições há sempre uma tentativa da professora de ludibriá-lo. Será os estudantes também pensam que, em algumas lições de casa, os professores têm por objetivo penalizá-los? Ou ainda, a lição é para o aluno ou para o pai realizar?
domingo, fevereiro 07, 2010
CUBA E A EDUCAÇÃO
Cuba é o país latino-americano que melhor cumpre metas da Unesco para educação:
http://www.operamundi.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=2787
http://www.operamundi.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=2787
segunda-feira, novembro 09, 2009
O VESTIDO DE GEISY
Na década de 1970, numa das páginas “infeliz/feliz de nossa história” Chico Buarque de Holanda compôs uma música que à época causou sucesso e controvérsia. Trata-se de “Geni e o Zepelin” do álbum a “Ópera do Malandro”, baseado na “Ópera dos Três Vinténs” de Bertold Brecht. A Música narra uma história de um homossexual. Durante o dia é Genival, e a noite se transveste em Geni. A cidade e seus agentes sociais (o prefeito, o bispo, o banqueiro) são os seus algozes excluindo-a e agredindo-a das formas mais perversas. É uma crítica à hipocrisia social, ao preconceito. Os versos a seguir ilustram essa realidade:
“Joga pedra na Geni
Joga pedra (bosta) na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni.”
Na semana passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos,maquiagem. Chama-se Geisy Arruda, filha de uma dona de casa e de um supervisor de serviços, ambos apenas o primário completo, Geisy Arruda, tem um irmão de 32 e duas irmãs (30 e 16). O pai é quem paga os R$ 310 de mensalidade. Mora em um bairro popular em Diadema. Geisy Arruda, já trabalhou em um mercadinho.
O resultado, amplamente divulgado pela mídia, foi um espetáculo de horror. Aproximadamente 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa massa enfurecida: xingaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma horda de fanáticos do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta"em contraste com os jovens que em maio de 1968 gritavam Luta! Luta! Luta!
Ontem a imprensa divulgou que a Uniban decidiu expulsar a jovem da Universidade por desrespeito às normas. Hoje mediante pressão de setores da sociedade civil e do Ministério Público a Uniban recuou e resolveu aceitar que ela volte a frequentar a universidade.
Esse fato que revela um dos piores momentos de nossa civilização. Curioso é que o mundo moderno se autodenomina um mundo de tolerância e respeito às diversidades contra e toda qualquer forma de fanatismo e misoginia, sentimentos que no Ocidente são atribuídos ao mundo islâmico, terrorista e fundamentalista. Fatos como esses costumam ser imputados ao Taliban e seus congêneres. E nós, o que somos quando nossos jovens manisfestam o desejo de violência por conta de um 'vestido vermelho'.
O que explica esse hiper-moralismo? Conforme análise do psicanalista Contardo Calligaris a turba do “pega e lincha” da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio. (...) O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer. A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada. (Folha de São Paulo São Paulo, quinta-feira, 05 de novembro de 2009).
Espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "O sétimo selo de Igmar Bergman", com redação obrigatória no fim?
Após séculos de civilização iluminista fundamentada na razão, na ciência, no progresso o que dizer acerca desse episódio? O processo civilizatório terminou convertendo-se na mais crassa barbárie? No lugar de esclarecimento, vivemos um tempo de opressão, dominação, mistificação? Estamos ficando cegos de tanta luz?
Geisy, assim como na música do Chico, um dia, nós iremos beijar a sua mão!
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Sobre moluscos e homens
Um texto de Rubem Alves sobre o sentido da prática educativa. Uma reflexão sobre o por que e para que e o que ensinar? Para ler clique aqui.
ANTROPOÉTICA
A ANTROPOÉTICA é um conceito desenvolvido por Edgard Morin no bojo da sua Teoria da Complexidade estabelecendo os vínculos entre ética, educação.
Para assistir uma vídeo-entrevista por Robert Rappe em que os temas são contemplados clique aqui.
Para assistir uma vídeo-entrevista por Robert Rappe em que os temas são contemplados clique aqui.
terça-feira, novembro 25, 2008
Por trás da falta de palavras
Terça, 25 de novembro de 2008, 07h21
Marina SilvaDe Brasília (DF)
"Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem eaumentarem seu número respirando um ar mais limpo". Esta e outras afirmações foram feitas noexame nacional do ensino médio.
São as famosas "pérolas do Enem", que circulam todo ano na internet. Sempre tenho dúvidassobre a veracidade desses relatos, mas, desta vez, li a respeito no texto de um colunista dojornal Correio Braziliense ("Amazonologia", Eduardo Reis, 15/11/2008), que os trata comoautênticos.
Se as frases por ele reproduzidas são de fato provenientes das redações do Enem sobre meioambiente e Amazônia, estamos diante de um gravíssimo adoecimento educacional do país, queessas provas deixam mais evidente. E, o que é pior, os jovens vítimas dessa situação sãoridicularizados, como se fossem uma espécie de "palhaços" trágicos da nossa incapacidadecoletiva de superar um dos piores passivos nacionais, que é o da educação.
Duas situações convivem nesse universo. Uma, a dos estudantes cujas famílias têm meios paralhes dar suporte escolar e um ambiente doméstico com bom acesso à informação. Outra, a dosestudantes que remam contra a maré da pobreza, da falta de condições materiais em casa e doarremedo de escola. Estes são duplamente atingidos porque são também humilhados, como se acondição de pobreza, que os afasta dos meios para melhorar a performance escolar, significasseuma incapacidade inata.
Mas, lendo com atenção as frases, é possível fazer uma colheita de pérolas verdadeiras, degrande valor. Na verdade, seus autores revelam uma preocupação pertinente e relevante com aAmazônia, embora não tenham as palavras corretas para expressá-la. Fazem um esforço paraidentificar problemas ambientais reais, mas em boa parte dos casos talvez lhes faltem os jornais,o acesso à informação, a intimidade com a linguagem culta. Falta-lhes escola de qualidade.
E, no entanto, por meio de sua linguagem torta, dizem muito. No seu esforço para escrever háuma intenção e uma informação. A intenção é de proteger o meio ambiente e a Amazônia. Ainformação que nos chega, de forma indireta, é a de que as camadas mais pobres do país e,portanto, as que têm menos oportunidades de educação formal, conhecem a importância dessetema. Sabem que é preciso cuidar da biodiversidade, evitar os desmatamentos e queimadas.
Esses jovens, a despeito da falta de apoio, têm o mérito de ter conseguido entender a visãobásica de conservação e de conceitos sócio-ambientais complexos. Se "traduzirmos" suas frases,o que está dito é: o que acontece na Amazônia tem repercussão mundial; a Amazônia éexplorada de forma impiedosa; vamos nos unir para salvar o planeta; o homem destrói afloresta e isto tem que ser coibido; o desmatamento ilegal é a principal causa da devastação; oprocesso de extinção de animais é grave; a emissão de poluentes contribui para a destruição dafloresta; há empresas que lidam com a floresta da maneira correta; as queimadas destroem oshabitats da fauna; a Amazônia tem valor inestimável; devemos parar e refletir. Alguém discorda?
Também, à sua maneira, falam do corte ilegal de árvores, da necessidade de leis, daresponsabilidade dos governantes, da má política, da necessidade de ações preventivas, doaumento do aquecimento global. Têm noção dos temas que importam, mas não sabem discorrersobre eles.
Têm sensibilidade, mas o sistema de ensino não está à altura deles, de seu interesse, de seupotencial. Rir de seus erros é um contra-senso; é como se achássemos hilariante o desastre queo déficit educacional significa para o futuro do Brasil.
Marina SilvaDe Brasília (DF)
"Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem eaumentarem seu número respirando um ar mais limpo". Esta e outras afirmações foram feitas noexame nacional do ensino médio.
São as famosas "pérolas do Enem", que circulam todo ano na internet. Sempre tenho dúvidassobre a veracidade desses relatos, mas, desta vez, li a respeito no texto de um colunista dojornal Correio Braziliense ("Amazonologia", Eduardo Reis, 15/11/2008), que os trata comoautênticos.
Se as frases por ele reproduzidas são de fato provenientes das redações do Enem sobre meioambiente e Amazônia, estamos diante de um gravíssimo adoecimento educacional do país, queessas provas deixam mais evidente. E, o que é pior, os jovens vítimas dessa situação sãoridicularizados, como se fossem uma espécie de "palhaços" trágicos da nossa incapacidadecoletiva de superar um dos piores passivos nacionais, que é o da educação.
Duas situações convivem nesse universo. Uma, a dos estudantes cujas famílias têm meios paralhes dar suporte escolar e um ambiente doméstico com bom acesso à informação. Outra, a dosestudantes que remam contra a maré da pobreza, da falta de condições materiais em casa e doarremedo de escola. Estes são duplamente atingidos porque são também humilhados, como se acondição de pobreza, que os afasta dos meios para melhorar a performance escolar, significasseuma incapacidade inata.
Mas, lendo com atenção as frases, é possível fazer uma colheita de pérolas verdadeiras, degrande valor. Na verdade, seus autores revelam uma preocupação pertinente e relevante com aAmazônia, embora não tenham as palavras corretas para expressá-la. Fazem um esforço paraidentificar problemas ambientais reais, mas em boa parte dos casos talvez lhes faltem os jornais,o acesso à informação, a intimidade com a linguagem culta. Falta-lhes escola de qualidade.
E, no entanto, por meio de sua linguagem torta, dizem muito. No seu esforço para escrever háuma intenção e uma informação. A intenção é de proteger o meio ambiente e a Amazônia. Ainformação que nos chega, de forma indireta, é a de que as camadas mais pobres do país e,portanto, as que têm menos oportunidades de educação formal, conhecem a importância dessetema. Sabem que é preciso cuidar da biodiversidade, evitar os desmatamentos e queimadas.
Esses jovens, a despeito da falta de apoio, têm o mérito de ter conseguido entender a visãobásica de conservação e de conceitos sócio-ambientais complexos. Se "traduzirmos" suas frases,o que está dito é: o que acontece na Amazônia tem repercussão mundial; a Amazônia éexplorada de forma impiedosa; vamos nos unir para salvar o planeta; o homem destrói afloresta e isto tem que ser coibido; o desmatamento ilegal é a principal causa da devastação; oprocesso de extinção de animais é grave; a emissão de poluentes contribui para a destruição dafloresta; há empresas que lidam com a floresta da maneira correta; as queimadas destroem oshabitats da fauna; a Amazônia tem valor inestimável; devemos parar e refletir. Alguém discorda?
Também, à sua maneira, falam do corte ilegal de árvores, da necessidade de leis, daresponsabilidade dos governantes, da má política, da necessidade de ações preventivas, doaumento do aquecimento global. Têm noção dos temas que importam, mas não sabem discorrersobre eles.
Têm sensibilidade, mas o sistema de ensino não está à altura deles, de seu interesse, de seupotencial. Rir de seus erros é um contra-senso; é como se achássemos hilariante o desastre queo déficit educacional significa para o futuro do Brasil.
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